Monografias dos discentes do Campus Três Rios
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COBERTURA FLORESTAL NA APA PETRÓPOLIS E ÁREAS PRIORITÁRIAS PARA REFLORESTAMENTOS
AUTOR: Tatiana Rocha da Silva / ORIENTADOR: FÁBIO SOUTO DE ALMEIDA
O desmatamento e a fragmentação florestal são alguns dos principais problemas enfrentados pelos profissionais que trabalham com a conservação da natureza, pois a redução e o isolamento dos habitats naturais acarretam a extinção de inúmeras espécies. O presente trabalho visa estudar a cobertura florestal da Área de Proteção Ambiental da Região Serrana de Petrópolis (APA Petrópolis), visando colaborar para a conservação da natureza. A delimitação da APA Petrópolis foi obtida através do site Institucional do ICMBio e na área da Unidade de Conservação os remanescentes florestais foram delimitados, com a análise da imagem aérea no programa Google Earth Pro. Obteve-se a área e o perímetro de cada fragmento florestal com área de pelo menos 5 ha e foram indicadas áreas prioritárias para reflorestamentos. Também foram indicados locais para a implantação de passagens de fauna nas rodovias. Foram demarcados 103 fragmentos florestais, com a área de cobertura florestal total de 53.091,28 ha. A porcentagem de cobertura florestal foi de 77,82%. Dentre as classes de tamanho dos fragmentos florestais, a que apresentou o maior número de remanescentes florestais foi a de 20 ha a 50 ha. Uma expressiva porcentagem de fragmentos florestais da APA Petrópolis apresenta mais de 100 ha (35%). Pequena porcentagem de fragmentos florestais apresentou índice de circularidade abaixo de 0,4 e a maioria dos remanescentes florestais tiveram índice de circularidade entre 0,4 e 0,7, havendo uma considerável porcentagem de fragmentos florestais com índice acima de 0,7. Foram apontadas 11 áreas prioritárias para reflorestamentos e 7 locais para construção de passagens de fauna. O baixo nível de isolamento, aliado ao fato do efeito de borda não ser elevado e a porcentagem de cobertura florestal ser alta, indicam que a APA Petrópolis apresenta uma paisagem adequada para a proteção da biodiversidade. Esse cenário pode ser ainda melhorado se forem implementados os reflorestamentos sugeridos e se construírem as passagens de fauna nos locais indicados no presente trabalho.
AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS E MEDIDAS MITIGADORAS DE EMPREENDIMENTOS DE MINERAÇÃO A CÉU ABERTO NO BRASIL
AUTOR: Nathalia Priori Pinto / ORIENTADOR: FÁBIO SOUTO DE ALMEIDA
AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS E MEDIDAS MITIGADORAS DE EMPREENDIMENTOS DE MINERAÇÃO A CÉU ABERTO NO BRASIL
IMPACTOS AMBIENTAIS EM ATERROS SANITÁRIOS
AUTOR: Laura Dias Parreiras Bento / ORIENTADOR: FÁBIO SOUTO DE ALMEIDA
A elevada quantidade de bens produzidos, para satisfazer o desejo de consumo da sociedade humana moderna, tem gerado expressivo volume de resíduos. Estes, se destinados de maneira incorreta, oferecem riscos a população e ao meio ambiente. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) instituiu no Brasil a obrigatoriedade de destinação dos resíduos sólidos aos aterros sanitários, por serem espaços ambientalmente adequados para receberem este tipo de material. Contudo, estes locais podem ser fontes de alterações ambientais adversas. Sendo assim, o presente trabalho buscou analisar as alterações ambientais previstas em Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA) para o licenciamento de aterros sanitários na região Sudeste do Brasil. Os impactos ambientais previstos em três EIAs e cinco RIMAs, foram analisados nas fases de planejamento, implantação, operação e encerramento. Os impactos foram também organizados por componente do meio ambiente que afetam – físico, biótico ou socioeconômico, e divididos em positivos, negativos ou negativo/positivo, com baixa, média ou alta magnitude. Sendo assim, foi possível constatar a previsão de 30 impactos ambientais, sendo estes divididos em positivos (6 impactos), negativos (20 impactos), e positivo/negativo (4 impactos). Além disto, estes ficaram subdivididos nos meios físico (11 impactos), biótico (6 impactos) e socioeconômico (13 impactos) sendo classificados em magnitude baixa (12 impactos), média (12 impactos) e alta (6 impactos). A fase de implantação foi a que apresentou o maior número de impactos ambientais. Por outro lado, na fase de planejamento observou-se o menor número de alterações ambientais. Embora a maioria dos impactos possua cunho negativo, medidas mitigadoras ou compensatórias são propostas nos estudos ambientais, visando diminuir a abrangência e magnitude das alterações ambientais negativas, o que viabiliza a implantação desses empreendimentos caso tais medidas sejam efetivadas corretamente. São indiscutíveis os benefícios proporcionados pelos aterros sanitários à sociedade, por estarem entre os meios mais seguros e de menor custo para a disposição final dos resíduos sólidos, porém devem ser tomados os devidos cuidados para a sua implantação, operação e encerramento, visando reduzir os problemas que podem ser causados pelas atividades inerentes aos aterros.
ANÁLISE DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DO PLANEJAMENTO, INSTALAÇÃO E OPERAÇÃO DE PORTOS MARÍTIMOS NO BRASIL
AUTOR: Alexandrina Juscélia Feitosa de Souza / ORIENTADOR: FÁBIO SOUTO DE ALMEIDA
Os portos são empreendimentos importantes para o transporte de cargas e passageiros no Brasil, todavia podem ocasionar impactos ambientais negativos de elevada extensão e magnitude, influenciando diversos componentes do meio ambiente. Assim, essa monografia tem o objetivo discorrer sobre os impactos ambientais previstos para o planejamento, a implantação e a operação de portos marítimos na costa brasileira. A coleta das informações foi realizada através da análise de dois Estudos de Impacto Ambiental e quatro Relatórios de Impacto Ambiental. Foram obtidos dos estudos informações sobre os impactos ambientais das fases de planejamento, implantação e operação dos portos, organizados por meio que afetam (biótico, físico e socioeconômico). Também obteve-se a classificação dos impactos no que tange a sua natureza (positiva ou negativa), magnitude (pequena, média ou grande), duração e periodicidade (temporário, permanente ou cíclico), além da frequência de cada impacto nos empreendimentos. Na fase de planejamento foi observado um impacto ambiental, sendo positivo/negativo. Nessa fase, o impacto foi previsto para o meio socioeconômico. Na fase de implantação foram observados 113 impactos ambientais, sendo 13 positivos e 95 negativos e 5 positivo/negativo. Na fase de operação foram 139 impactos ambientais, sendo 28 positivos e 108 negativos e 3 positivo/negativo. Em relação à duração e periodicidade na fase de operação há uma maior tendência dos impactos ocorrerem de forma permanente. Foi constatado um empreendimento com a fase de pré-implantação, sendo previstos 6 impactos, que são comuns na fase de planejamento ou implantação destes empreendimentos. Assim, os portos brasileiros tendem a causar diversos impactos ambientais, principalmente alterações ambientais negativas. Assim, deve-se buscar reduzir os impactos ambientais negativos dos portos para que a sociedade possa continuar a usufruir dos seus benefícios, ocorrendo o mínimo de problemas derivados desses empreendimentos.
EFEITOS ANTRÓPICOS NA QUALIDADE DA ÁGUA NO CÓRREGO CANTAGALO – TRÊS RIOS/RJ
AUTOR: Luana Alves Riente / ORIENTADOR: Erika Cortines
O uso de parâmetros físicos e químicos da água como indicadores de qualidade ambiental é fundamental para avaliar e monitorar impactos em diferentes ecossistemas. A água é um dos elementos naturais que mais responde aos impactos gerados nas bacias hidrográficas, tanto em termos de quantidade quanto de qualidade. O objetivo deste estudo foi caracterizar a qualidade da água do córrego Cantagalo conforme as influências antrópicas do uso do solo em sua extensão. A Microbacia do Córrego Cantagalo está localizada na margem esquerda do rio Paraíba do Sul, na Região Hidrográfica 03 do Estado do Rio de Janeiro. Os parâmetros físico-químicos da água (Oxigênio Dissolvido (OD), Temperatura (o C), pH, Sólidos Totais Dissolvidos (STD), Condutividade, Turbidez, Cloretos, Alcalinidade, Nitrito, Nitrato, Dureza, Sulfatos, Cor, Ferro e Manganês) foram medidos em seis pontos da calha principal do Córrego Cantagalo, além de larvas Chironomidae por serem organismos indicadores de qualidade da água. Os pontos foram escolhidos de acordo com sua influência rural, urbana, industrial. Utilizou-se a Resolução CONAMA Nº 357 para a avaliação da qualidade de cada parâmetro em cada ponto. Houve redução na qualidade da água principalmente entre os pontos P1(foz) e P6 (nascente). A temperatura variou do P6 para o P1 de 16,6º C para 21,86 º C, a turbidez de 2,88 NTU para 12,9 NTU, a condutividade de 62,2 µS/cm para 258,8 µS/cm, os Sólidos Totais Dissolvidos de 31 mg/L para 131 mg/L, a cor de 40 uH para 145 uH, os cloretos de 15 mg/L para 28 mg/L, a dureza de 26,0 mg/L CaCO3 para 58,0 mg/L CaCO3, a alcalinidade de 29,0 mg/L para 83,6 mg/L, o ferro de 0 mg/L para 2 mg/L, o sulfato de 3 mg/L para 16 mg/L (neste caso, o maior valor foi no P4).Conclui-se que a chegada do afluente da microbacia urbana foi o que causou o maior impacto na qualidade da água. A chegada do afluente da microbacia de área rural em um dos pontos causou melhoria na qualidade da água devido à diluição da poluição. É indispensável que novos estudos sejam realizados e novos indicadores propostos a ações para direcionar as medidas para a recuperação, controle e monitoramento da qualidade da água.
INFLUÊNCIA DA ESTRUTURA DO HABITAT NA DISTRIBUIÇÃO DO PEIXE LIMPADOR ELACATINUS FIGARO NA BAÍA DA ILHA GRANDE, RJ
AUTOR: Ingrid de Azevedo Dias Pereira / ORIENTADOR: Leonardo Mitrano Neves
O Elacatinus figaro é uma espécie de peixe limpador que se alimenta obrigatoriamente de ectoparasitas, garantindo a saúde de peixes considerados clientes. Apresenta grande importância no mercado de aquários ornamentais marinhos, por isso a espécie encontra- se listada no livro vermelho de espécies marinhas ameaçadas de extinção. O objetivo do trabalho foi examinar as relações entre a abundância de E. fígaro com preditores relacionados a influências antrópicas (distância da costa), biológicas (cobertura bêntica) e complexidade topográfica (buracos e altura do substrato) em costões rochosos na Baía da Ilha Grande. Foram realizados 204 transectos de 40m2 cada, distribuídos em 36 locais da baía. Os peixes foram observados através do censo visual subaquático e as características dos habitats foram quantificadas através de fotografias em cada local de amostragem. As influências da estrutura do habitat (cobertura bentônica e complexidade topográfica) e da distância da costa sobre a variação espacial da abundância de E. figaro foram avaliadas através do modelo linear baseado em distância (DistLM) e da Análise de Redundância Baseada em Distância (dbRDA). Elacatinus figaro foi mais abundante nas ilhas de Queimada Grande e Queimada Pequena, enquanto na maioria dos costões rochosos localizados no continente a espécie não foi observada. Os preditores positivamente correlacionados com a abundância de E. fígaro foram o coral sol (Tubastraea spp.), uma espécie de coral invasor, o processo de branqueamento de Palythoa caribaeorum, a altura do substrato, enquanto algas frondosas tiveram uma correlação negativa. A disponibilidade de pequenos refúgios fornecidos pelas fendas entre os pólipos de coral sol e a presença de substratos que tornem o peixe limpador mais visível aos clientes foram as características mais importantes para a sua distribuição. Estudos comportamentais que investiguem o uso de componentes do habitat (bentônico e topográfico) pelo E. figaro são necessários para que as relações entre o habitat e a variação da abundância do peixe limpador sejam compreendidas em maior detalhe. Os resultados do presente estudo são importantes para a conservação do E. fígaro na baía da Ilha Grande, indicando os locais com maior abundância da espécie.
A COLETA SELETIVA E O PERFIL SOCIAL DOS CATADORES DE RESÍDUOS SÓLIDOS RECICLÁVEIS NO MUNICÍPIO DE SAPUCAIA (RJ)
AUTOR: Fernanda C. Ramos Ragazzi / ORIENTADOR: FÁBIO CARDOSO DE FREITAS
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei Federal 12.305/2010, possui instrumentos para efetividade de suas diretrizes propostas, dentre eles, destaca-se a prática da Coleta Seletiva de Resíduos Sólidos. A coleta seletiva de materiais recicláveis tornou-se uma possibilidade de sobrevivência para algumas pessoas além de contribuir positivamente com o meio ambiente. Através do Decreto Federal no. 5.940, de 25 de outubro de 2006, que instituiu a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública federal e a sua destinação às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis, a Prefeitura Municipal de Sapucaia por meio da Lei no 2.376 de 29 de setembro criou o Programa de Reciclagem Ambiental Municipal, com a finalidade de minimizar o despejo de lixo reciclável no meio ambiente e firmou convênio com a COOPER, (Cooperativa de Reciclagem Elizabeth) em prol de uma melhoria ambiental e na vida dos catadores que antes obtinham sua fonte de renda através do lixão. Com o objetivo de observar e descrever o processo da coleta seletiva, a organização dos catadores, bem como analisar seus lucros e a condição de trabalho antes e depois da existência da cooperativa, a perspectiva socioeconômica dos cooperativados, a metodologia utilizada pelos catadores em seu processo de trabalho, o fluxo de resíduos que chegam ao galpão e sua comercialização, o local de trabalho e materiais utilizados pelos catadores também foram analisados. Portanto, a pesquisa tornou-se relevante uma vez que foi perceptível o quanto a sociedade pode contribuir com o meio ambiente e consequentemente, à medida que o volume de resíduo sólido reciclável aumenta, aumenta a fonte de renda dos catadores, que desempenham fundamental papel no elo do sistema de reciclagem, porém carecem de maior atenção por parte do Poder Público e principalmente, da sociedade civil ao passo que são submetidos, em muitos casos, a condições de marginalidade social e econômica. Dessa maneira, essa conscientização, atrelada ao gerenciamento dos resíduos sólidos deverá gerar uma educação ambiental amparada por políticas públicas de redução e destinação de lixo.
PROPOSTA DE UMA MINI ESTAÇÃO MODULAR DE TRATAMENTO DE ESGOTO PARA O MUNICÍPIO DE TRÊS RIOS-RJ
AUTOR: Jardel Machado Bonfim / ORIENTADOR: Maíra Freire Pecegueiro do Amaral
A água é um recurso natural indispensável à manutenção da vida no nosso planeta. A relação entre os diversos usos atribuídos à água e a sua qualidade tem importância fundamental quando se trata do consumo humano. A água utilizada no abastecimento doméstico se torna um efluente líquido que deve ser tratado antes de ser lançado no corpo receptor. Com o crescimento urbano cada vez mais acelerado e os elevados custos da água potável, as mini estações modulares de tratamento de esgoto (mini ETEs) têm sido uma ótima solução para o controle da poluição das águas nas cidades. O objetivo deste trabalho é elucidar questões relativas a essa forma de tratamento de efluentes e apresentar o projeto de uma mini ETE para o município de Três Rios, localizado no interior do Estado do Rio de Janeiro. A proposta do projeto prevê a instalação da mini ETE em um bairro bastante conhecido e populoso do município, o bairro Vila Isabel, e ainda uma revitalização paisagística do entorno da área onde funcionará a estação. É um projeto pioneiro na região e muito importante para a criação de uma consciência ambiental na população do município. O nível do tratamento que será implantado na mini ETE Vila Isabel é o secundário que visa principalmente a remoção de matéria orgânica. São quatro os estágios pelo qual o esgoto será submetido: o primeiro e o segundo estágio têm como função degradar a matéria orgânica; o terceiro estágio tem a função de estabilização dos elementos dos efluentes e bactérias; o quarto estágio tem a função de filtragem final e polimento do efluente. O efluente de saída deverá ser classificado como classe 2 e que segundo a Resolução Conama 357/2015 estará apto a ser lançado em um corpo hídrico. A mini ETE será do tipo modular, o que significa que ela pode ser expandida, caso seja necessário. É importante que haja um monitoramento periódico para evitar possíveis entupimentos e danificação de equipamentos. De uma maneira geral, uma mini ETE desse tipo garante uma alta eficiência e sua manutenção é de baixo custo. Todos esses aspectos confirmam a viabilidade econômica e sustentável do projeto.
ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO, CONSERVAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DAS ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
AUTOR: Jéssica da Silva Corrêa / ORIENTADOR: FÁBIO SOUTO DE ALMEIDA
No Estado do Rio de Janeiro encontra-se o bioma Mata Atlântica, que apresenta uma rica biodiversidade e recursos naturais importantes. Entretanto, esse estado também possui uma elevada densidade populacional e uma economia diversificada, que provocam degradação ambiental. Para reduzir esse problema, podem ser criadas Unidades de Conservação, incluindo as Áreas de Proteção Ambiental, que são áreas protegidas que visam disciplinar o uso e ocupação do solo para evitar a perda de biodiversidade e demais recursos naturais, mantendo a qualidade de vida da população. Assim, esse estudo teve por objetivo analisar a distribuição, conservação e implementação das Áreas de Proteção Ambiental no Estado do Rio de Janeiro. Foi constatada a presença de 185 Áreas de Proteção Ambiental no território do Estado do Rio de Janeiro. O número de APAs municipais (167) é expressivamente maior que de APAs estaduais (13) e federais (5). Assim, cerca de 90% das APAs são municipais. A Região Metropolitana apresentou o número de APAs expressivamente maior que das demais regiões, sendo a região com maior número dessas unidades municipais, estaduais e também federais. As APAs federais apresentam grau de conservação 2 ou 4, enquanto que as municipais e estaduais, em geral, estão em pior estado de conservação. Em relação ao grau de implementação, pode-se constatar que nenhuma unidade de conservação federal apresentou grau de implementação 1. A maioria das APAs municipais e estaduais apresentou o menor grau de implementação. O governo estadual e, principalmente, os governos municipais, devem agir fortemente em busca da total implementação das APAs sob sua gestão, visto que isso é primordial para que essas unidades de conservação alcancem seus objetivos. A confecção de planos de manejo, criação de infraestrutura, contratação de funcionários e a gestão participativa através dos conselhos gestores são ações fundamentais.
GESTÃO DE RISCOS NATURAIS: COLETA, ANÁLISE E ORGANIZAÇÃO DE DADOS DIGITAIS GEORREFERENCIADOS POR MEIO DAS FERRAMENTAS DE GEOTECNOLOGIAS NA DISSEMINAÇÃO DA PERCEPÇÃO DE RISCO FRENTE AOS DESASTRES NATURAIS NO MUNICÍPIO DE TRÊS RIOS/RJ
AUTOR: Jordaica Seixas Neves / ORIENTADOR: SADY JÚNIOR MARTINS DA COSTA DE MENEZES
O presente trabalho objetivou calcular e desenvolver o mapa de risco de inundação para o município de Três Rios/RJ, que vem sofrendo pelo acelerado processo de dinamização econômica por meio do renascimento do setor industrial local, crescimento urbano desordenado e consequentemente a ocorrência de problemas ambientais (ALMEIDA, 2012). Para tal, foram aplicadas técnicas cartográficas e a Base de Dados Cartográfica Vetorial Contínua do Estado do Rio de Janeiro, na escala 1:25.000 - BC25_RJ (IBGE, 2017), disponível para download gratuito no sítio do IBGE, que foram processadas pelo programa ArcGIS 10.4.1.
Na metodologia, para a realização cálculo de risco de inundação, foi utilizado o Método da Análise Hierárquica (Analytic Hierarchy Process – AHP) (SAATY, 1977), o método de análise multicritério mais utilizado e conhecido no apoio à tomada de decisão na resolução de conflitos negociados que busca tratar a complexidade da análise proposta com a decomposição e divisão do problema em fatores, que podem ser decompostos em novos fatores até o nível mais baixo, claro e dimensionável, estabelecendo relações para depois sintetizar. O método considera três fatores para sua modelagem: Altimetria, classificada em 10 classes, com variação de 242 metros a 891 metros para a base de dados do município estudado, sendo as áreas mais elevadas consideradas de baixa probabilidade de ocorrência de inundação e as áreas menos elevadas de muito alta probabilidade; Declividade, classificada a partir das formas de relevo que a caracterizam (plano, suave ondulado, ondulado, forte ondulado, montanhoso e escarpado); e Uso do Solo, classificado em Área Urbanizada e Vegetação (Campo, Cultivo Agrícola, Floresta e Macega e Chavascal). Na análise, os fatores foram reclassificados em subfatores de acordo com o grau de susceptibilidade a inundação variando de 0 a 10, do menos susceptível ao mais susceptível, respectivamente.
A matriz de comparação pareada foi desenvolvida de maneira que o fator declividade foi definido como mais importante e a altitude com menor importância, entre os três fatores. E a Equação de Risco de Inundação utilizada foi REI = 0,6370 DEC + 0,2583 UOT + 0,1047 MDE; onde REI: Risco de Inundação; DEC: Declividade; UOT: Uso e Ocupação da Terra; MDE: Modelo Digital de Elevação. Então, executou-se a operação de álgebra de mapas que consiste na sua aplicação a partir dos pixels dos mapas de fatores já gerados. Ao final do processo gerou-se o Mapa Global de Risco de Inundação da área de interesse, com cinco classificações: Risco Mínimo, Risco Baixo, Risco Médio, Alto Risco e Elevado Risco, dos quais os dois últimos apresentam maior relevância no trabalho.
Ao calcular o percentual da área de inundação em relação a área total do município, considerando a área com risco de inundação com valor de 54,2464 km2 (somatório das áreas de Alto Risco – 38,2464 km2 - e Elevado Risco de Inundação – 16 km2) e a área total do município de Três Rios/RJ totalizando 323,2966 km2, obtivemos os valores percentuais de 21,8081 % de áreas de alto risco e 9,1232% de risco elevado em relação a área do município de Três Rios/RJ, evidenciando que mais de 30% do município apresenta potencial risco de inundação, e que as áreas mais susceptíveis são as áreas mais urbanizadas.
LEVANTAMENTO, AVALIAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DAS ESPÉCIES DA FLORA EM ESTADO DE AMEAÇA NA ILHA GRANDE, ANGRA DOS REIS, RIO DE JANEIRO, BRASIL
AUTOR: Livia Correia Fróes / ORIENTADOR: Michaele Alvim Milward de Azevedo
A necessidade de conservação da biodiversidade na região de Angra dos Reis, principalmente na Ilha Grande, se dá pela presença de vegetação nativa da Mata Atlântica e pela rápida ocupação territorial, advinda do crescimento turístico e dos grandes empreendimentos na região. Os diferentes ciclos econômicos deixaram uma série de impactos na vegetação nativa da Ilha G., sendo fonte de estudos de análise desse impacto. Porém, ainda há carência de pesquisas em que sejam apontadas quais espécies estão ameaçadas. Diante de tais fatos, o presente trabalho visa a análise da flora da lista vermelha ocorrentes na Ilha Grande. O levantamento foi realizado através do levantamento bibliográfico específico e sítios eletrônicos dos herbários virtuais. As coordenadas foram coletadas em campo e em exsicatas, plotadas em mapas e a avaliação das espécies se deu a partir dos critérios da IUCN. Foram encontradas um total de 65 espécies, entre elas 2 são classificadas como Criticamente em Perigo, 18 Em Perigo, 32 Vulneráveis, 13 Quase Ameaçadas e 19 com informações insuficientes, sendo quatro destas encontradas em campo nas trilhas de maior acesso pelos turistas: Anthurium luschnathianum Kunth, Euterpe edulis Mart., Hippeastrum striatum (Lam.) Moore e Rudgea macrophylla Benth. Apenas 11 espécies apresentaram dados suficientes para a avaliação do seu grau de ameaça no território da Ilha G., onde 9 alteraram seus status para Criticamente em Perigo. A grande maioria das espécies foram registradas nas vertentes sul e sudeste, pois existem muitas lacunas de coletas e pesquisas direcionadas para as vertentes norte e oeste. Além disso, na Ilha há a ocorrência da espécie Pleroma thereminiana (DC.) Cogn., espécie rara, de distribuição restrita à Costa Verde do estado do Rio de Janeiro. Por este motivo a Ilha Grande já se encontra como uma das áreas com maior prioridade para a conservação a Mata Atlântica e a ampliação de estudos sobre os impactos nas espécies ameaçadas de extinção e as que apresentam informações insuficientes (DD) também devem ser uma estratégia estimulada pela gestão.
ESTUDO DA EFICÁCIA DE GESTÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO MUNICIPAIS DE TRÊS RIOS/RJ: APA VALE DO MORRO DA TORRE E APA BEMPOSTA
AUTOR: Dolvani da Costa Barbosa / ORIENTADORES: Julianne Alvim Milward de Azevedo e Luis Cláudio Meirelles de Medeiros
Os impactos negativos dos efeitos antrópicos no meio ambiente têm chamado a atenção não só no Brasil, mas em todo mundo, resultando na importância de se criar as Unidades de Conservação (UCs), para que assim, se possa garantir o equilíbrio das espécies e da biodiversidade para as presentes e futuras gerações. O presente trabalho visa apresentar um estudo em relação à eficácia de gestão das UCs, passando por uma análise das áreas protegidas em relação à sociedade e uma gestão participativa, um contexto histórico brasileiro da legislação de áreas protegidas, uma abordagem do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), Lei 9.985/2000 e um estudo de métodos de avaliação de eficácia de gestão das UCs usados no Brasil e no mundo. O método utilizado para este estudo foi o EMAP (Evaluación del Manejo de Areas Protegidas). A pesquisa foi realizada no município de Três Rios, localizado no estado do Rio de Janeiro, e as áreas escolhidas foram a Área de Proteção Ambiental (APA) Vale do Morro da Torre e a APA Bemposta. O desenvolvimento do estudo se deu no período de 27 meses, no município (agosto de 2015 a novembro de 2017), e nesse período foi testemunhada a mudança de gestão municipal. O trabalho foi caracterizado pelo seu caráter exploratório e analítico-descritivo, além de ser bibliográfico e documental. Foram feitas visitas e entrevistas locais, assim como aplicação de questionários para a população e para o gestor das UCs. Os resultados desse estudo expõem que as duas UCs examinadas não possuem plano de manejo e, deste modo, não se encontram implementadas, o que resulta em uma gestão não eficaz. Foi observado que algumas das pessoas contactadas do município não possuem a informação de que esses dois espaços abordados são UCs, por outro lado, as pessoas que sabiam da existência da UCs foram informadas pelo COMDEMA (Conselho Municipal de Meio Ambiente), que possui participação da sociedade civil. A mudança de gestão municipal ocorrida durante a realização da pesquisa traz novas perspectivas, quanto à administração das áreas protegidas por essa esfera de governo e com vista à mudança de trajetória quanto a sua gestão, a eficácia das UCs municipais e o cumprimento dos objetivos propostos quanto a sua criação.
ANÁLISE DOS IMPACTOS AMBIENTAIS OCASIONADOS POR USINAS HIDRELÉTRICAS NO BRASIL
AUTOR: Renata Fernanda Oliveira de Souza / ORIENTADORES: FÁBIO SOUTO DE ALMEIDA e Fabíola de Sampaio Rodrigues Grazinoli Garrido
Com a Revolução Industrial, a energia elétrica passou a ocupar um espaço fundamental na sociedade moderna, a qual possibilitou o crescimento das indústrias, do comércio, da agricultura e da vida social. A instalação de usinas hidrelétricas de grande porte, dada a grandiosidade do empreendimento, gera efeitos que ultrapassam os limites de sua abrangência, atingindo e alterando estruturas até então existentes. O presente trabalho teve como objetivo principal identificar e analisar os impactos ambientais das Usinas Hidrelétricas no Brasil. As informações analisadas neste trabalho foram coletadas de nove Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA) de usinas hidrelétricas, que foram confeccionados visando atender as exigências para o licenciamento desses empreendimentos. Dos estudos analisados realizou-se a extração dos impactos ambientais previstos, de acordo com a sua natureza (negativo ou positivo), o meio que afetam (físico, biótico ou socioeconômico), magnitude (baixa, média e alta) e fase do empreendimento em que ocorre (planejamento, instalação e operação). Ao contabilizar o número de impactos ambientais gerados totalizou-se 103 impactos distribuídos entre os meios físicos, biótico e socioeconômico. Do total de impactos contabilizados, dez são impactos ambientais de natureza positiva, 92 são impactos ambientais de natureza negativa e apenas um destes impactos foi caracterizado com natureza tanto positiva quanto negativa. Sabe-se que é na fase de instalação que ocorre a maior parte dos impactos ambientais e de forma mais expressiva. Os impactos ambientais positivos que foram classificados com alta magnitude ocorrem na fase de planejamento, e referem-se a uma grande expectativa com a proposta de implantação do empreendimento, já que o mesmo irá favorecer a geração de renda e postos de trabalho para a população tanto local como regional. Já os impactos ambientais negativos foram classificados em diversos tipos de magnitude, mas nota-se que a maioria destes ocorre nos meios físico e biótico, ou seja, afetando, principalmente, a flora e fauna. Pode-se concluir que a implementação deste tipo de empreendimento gera diversos tipos de impactos ambientais, sendo alguns destes de cunho mais grave. Recomenda-se que os responsáveis por estes empreendimentos estudem minuciosamente os impactos causados por hidrelétricas e procurem propor medidas que visem evitar, eliminar ou diminuir cada vez mais a magnitude dos impactos negativos sobre os meios afetados. Já os impactos que não puderem ser mitigados, deverão ser compensados, através das chamadas medidas compensatórias.
ANÁLISE DOS IMPACTOS AMBIENTAIS E MEDIDAS MITIGADORAS NO PLANEJAMENTO, IMPLANTAÇÃO E OPERAÇÃO DAS RODOVIAS DA REGIÃO SUDESTE
AUTOR: Mariene Massi Afonso Alvim / ORIENTADORES: FÁBIO SOUTO DE ALMEIDA e Fabíola de Sampaio Rodrigues Grazinoli Garrido
O sistema rodoviário brasileiro é o maior e mais complexo sistema logístico do território nacional. Porém, encontra-se em estado precário, necessitando de ampliação e reforma. Todavia, a implantação de rodovias poderá ocasionar impactos ambientais significativos, de natureza negativa e magnitude elevada. Desse modo, o presente trabalho teve como objetivo realizar o levantamento dos impactos ambientais que ocorrem no planejamento, implantação e operação de rodovias da região Sudeste, nos meios físico, biótico e socioeconômico. Para tal, foram analisados nove estudos ambientais (Estudos de Impacto Ambiental - EIA e Relatórios de Impacto Ambiental - RIMA). Foram listados impactos ambientais que afetam os meios físico, biótico e socioeconômico. Observou-se no total a ocorrência de 47 impactos ambientais, sendo 11 impactos positivos e 36 impactos negativos. No meio socioeconômico os principais impactos ambientais encontrados estão relacionados a alterações no cotidiano da população, causados por interferências como perturbação e ruídos no espaço geográfico, muitas vezes urbano, bem como a desapropriação dos moradores da área do empreendimento, mudanças nas condições de emprego e, consequentemente, na qualidade de vida da população da área de influência do empreendimento. No meio biótico, os impactos mais comuns estão ligados à perda e fragmentação de habitats, causados pela supressão da vegetação para construção das estradas. Também são observados problemas relacionados a atropelamentos de animais, que é um problema ampliado pela perda e fragmentação dos habitats naturais e aberturas de novos acessos. Já no meio físico, os principais problemas encontram-se relacionados à alteração da qualidade do ar causada pela emissão de material particulado, como a fumaça, fuligem e poeira, formação de processos erosivos gerados pela retirada da cobertura vegetal e compactação dos solos. Outro impacto no meio físico é a alteração da qualidade da água associada ao aporte de sedimentos nos corpos hídricos, bem como a geração e o descarte de resíduos sólidos e efluentes líquidos nos canteiros de obras, causando inclusive a obstrução do sistema de drenagem da rodovia. Desse modo, pode-se concluir que os empreendimentos rodoviários causam impactos ambientais negativos significativos, tanto no meio físico, como no biótico e socioeconômico, destacando-se a importância da análise desses impactos para sua minimização.
ABUNDÂNCIA DE ARTRÓPODES EM ÁREAS AGRÍCOLAS SOB CULTIVO ORGÂNICO E CONVENCIONAL NO MUNICÍPIO DE PARAÍBA DO SUL-RJ
AUTOR: Ane Aparecida da Silva Matos / ORIENTADOR: FÁBIO SOUTO DE ALMEIDA
A agricultura é importante para o desenvolvimento social e colabora de forma positiva para a economia dos países. Entretanto, causa impactos negativos no meio ambiente, sobretudo se for praticada com a utilização de agrotóxicos. Os artrópodes, principalmente os insetos, são diversificados e abundantes nas áreas agrícolas, onde exercem funções benéficas aos cultivos ou podem causar prejuízos. O presente trabalho teve como objetivo geral estudar a abundância de artrópodes em áreas com sistema de cultivo orgânico e convencional no município de Paraíba do Sul-RJ. Os dados foram coletados em oito áreas submetidas ao cultivo orgânico e em oito submetidas ao cultivo convencional. A coleta dos artrópodes foi realizada com armadilhas tipo pitfall. Também foram coletadas a temperatura do ar, a luminosidade, a profundidade de cobertura morta, o número de espécies de plantas cultivadas, a distância para a floresta mais próxima e o tamanho da área cultivada. A regressão linear passo a passo foi empregada para analisar se a abundância dos artrópodes foi influenciada pelas variáveis ambientais ou tratos culturais e o teste de Qui-quadrado foi usado para verificar se houve diferença significativa entre a frequência do número de indivíduos dos grupos de artrópodes nas áreas com cultivos orgânicos e convencionais. Foram encontrados artrópodes das ordens Araneae, Coleoptera, Diptera, Hemiptera, Hymenoptera e Orthoptera. Além desses, foram encontrados indivíduos dos táxons Acari, Collembola, Diplopoda, Lepidoptera e Opiliones. Houve diferença significativa entre as frequências do número de indivíduos dos grupos de artrópodes nas áreas com cultivo orgânico quando comparadas com os cultivos convencionais (χ2= 1433,9; p < 0,01). Os fatores que mais influenciaram a abundância dos artrópodes foram a profundidade de cobertura morta, o tipo de cultivo e o número de espécies cultivadas. A abundância de Hymenoptera e dos Artrópodes em geral não foram influenciadas pelos fatores analisados. Além disso, o tamanho da área cultivada foi a variável que mais influenciou a abundância de aranhas, a distância para a floresta mais próxima foi a que mais influenciou a abundância de coleópteros e a temperatura do ar foi a que mais influenciou a abundância de Diptera. A abundância de artrópodes foi maior nos cultivos orgânicos em razão dos agricultores que adotam esse sistema agrícola não utilizarem a aplicação de agrotóxicos, incluindo inseticidas, pela manutenção da cobertura morta e pelo número de espécies cultivadas geralmente ser maior nesses cultivos.
EFICÁCIA DE GESTÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO MUNICIPAIS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO: ESTUDO DE CASO NOS MUNICÍPIOS DE TRÊS RIOS E TERESÓPOLIS
AUTOR: Ana Paula Ferreira Santos da Costa / ORIENTADORES: Julianne Alvim Milward de Azevedo e Luis Cláudio Meirelles de Medeiros
Com vista à proteção e conservação dos ecossistemas, no Brasil e no mundo, a iniciativa de criação de áreas protegidas tem-se tornado recorrente. No Brasil, essas áreas são representadas e reconhecidas mais facilmente por Unidades de Conservação (UCs). Em virtude do crescimento expressivo dessas áreas ao longo dos anos e a compreensão de que a boa gestão é fundamental para manutenção da biodiversidade, regulação dos recursos abióticos e proteção histórico-cultural quando for o caso, surgiram modelos para avaliação e medição da eficácia de gestão das UCs. Este trabalho tem como objetivo avaliar a gestão das unidades de conservação municipais dos municípios de Três Rios e de Teresópolis, situados no estado do Rio de Janeiro, região Sudeste brasileira, com o propósito de investigar os aspectos positivos e negativos de gestão dessa esfera governamental, por meio da mensuração de sua eficácia. O método de avaliação escolhido para esse trabalho foi o Evaluación del Manejo de Areas Protegidas (EMAP), desenvolvido pelo pesquisador brasileiro, Helder Faria (2004). A pesquisa consistiu na aplicação de questionário e entrevista semiestruturada com os gestores responsáveis pelas UCs dos dois municípios, visita em campo e tabulação dos dados em planilha do Excel para definir o quadro de porcentagem dos indicadores da matriz de cenário e quadro geral das UCs. O município de Três Rios possui seis UCs municipais enquanto Teresópolis atualmente possui apenas uma. No total foram avaliados seis âmbitos, 29 variáveis e 34 subvariáveis para cada município. Na análise geral da eficácia os dois municípios apresentaram índice de médio para baixo. Três Rios apresentou menor percentual de eficácia de gestão, com 42,35%, caracterizando-se como uma qualidade de gestão ‘Precária’. Já Teresópolis mostrou um percentual um pouco mais elevado com 59,69%, representando uma melhor situação de gestão municipal, caracterizada como ‘Razoavelmente Satisfatória’. O único município que pode ter suas UCs consideradas como ‘unidades de papel’ é o de Três Rios, pois as mesmas, de forma geral, ainda não foram implantadas. Para o município de Três Rios o estudo identificou que os problemas mais sérios para a gestão de suas UCs estão nos âmbitos ‘Programas de Manejo’ (25%) e, ‘Conhecimentos’ (33,3%). Em contrapartida o âmbito Politico-Legal apresenta o maior percentual (58,3%). Inversamente aos resultados do município de Três Rios, em Teresópolis o estudo identificou como mais eficaz o âmbito ‘Programas de Manejo’ (68,6%). Seguidamente o outro âmbito com maior percentual é o ‘Qualidade do Recurso Protegido’ (67,9%). Já como ponto fraco o município apresenta o menor percentual no âmbito ‘Administrativo’ (49%). O único âmbito que apresentou o mesmo percentual para os dois municípios foi o ‘Politico-Legal’ (58,3%). No geral, as dificuldades dos dois municípios se assemelham, sendo os dois fatores problemáticos que mais permearam em quase todos os âmbitos a deficiência orçamentária e de pessoal. Pode-se concluir que a medição da eficácia de manejo é uma ferramenta útil para a gestão, porém é apenas parte do caminho que os gestores responsáveis devem percorrer para a excelência. Desse modo, além dos municípios estudados, espera-se que esta pesquisa possa contribuir para o aprimoramento da gestão das UCs municipais, sobretudo do estado do Rio de Janeiro.
CÁLCULO DO ÍNDICE DE ARBORIZAÇÃO URBANA (ÍNDICE DE ÁREA VERDE) COMO INDICADOR DA QUALIDADE SOCIOAMBIENTAL PARA A CIDADE DE TRÊS RIOS, RJ.
AUTOR: Raphael Fonseca de Sá Silva / ORIENTADOR: SADY JÚNIOR MARTINS DA COSTA DE MENEZES
"O presente trabalho objetivou alcançar um índice de área verde urbana para as ilhas de urbanização da cidade de Três Rios-RJ. Foi utilizada a base de dados do IBGE, disponibilizada de forma gratuita, e processada pelos programas Erdas Imagine 9.2 e ArcGISn 10.3.1. Encontrou-se um índice igual a 97,925 m2/hab., considerando a divisão da área coberta por vegetação (árvore) classificada (Cenário 1) e índice igual a 230,596m2/hab., considerando a divisão do somatório da área coberta por vegetação (árvore) e pasto (Cenário 2) pelo número total de habitantes da cidade de Três Rios, segundo dados do IBGE (2010). O índice obtido revelou que as áreas urbanas de Três Rios possuem um índice de área verde expressa em m2/hab. bastante elevado, valor esse, que supera os níveis referenciais estabelecidos pela OMS de 12m2/hab. e pela SBAU de 15m2/hab. Concluiu-se que apesar do elevado número encontrado no resultado, é necessário um estudo com uma base de dados atual e de melhor qualidade em termos de resolução espacial e temporal, possibilitando assim realizar um trabalho mais exato, o qual fará não apenas uma análise quantitativa, mas também qualitativa das áreas verdes urbanas do município, de forma que posteriormente sejam traçadas estratégias voltadas para um melhor uso dessas áreas pela população."
GEOQUÍMICA DO FLÚOR DISSOLVIDO NAS ÁGUAS MINERAIS DO PARQUE SALUTARIS, PARAÍBA DO SUL, RJ.
AUTOR: Ingrid Fernandes Dias da Cruz / ORIENTADORES: Olga Venimar de Oliveira Gomes e Emmanoel Vieira da Silva Filho
O Estado do Rio de Janeiro teve sua primeira fonte hidromineral descoberta em 1887, no município de Paraíba do Sul. As águas mineralizadas do Parque Salutaris, situado no mesmo município, tiveram sua primeira análise em 1889 sendo verificadas como águas ferruginosas, bicarbonatadas e gasosas que foram denominadas respectivamente de fonte Alexandre Abrahão (desativada), Nilo Peçanha e Maria Rita. Considerando que estas águas sempre foram utilizadas pela sociedade local e que existem artigos que comprovam altas concentrações do íon fluoreto, o objetivo deste trabalho foi compreender a origem e o comportamento do flúor dissolvido nas águas minerais do Parque. O Parque Salutaris é considerado uma área de preservação ambiental e não possui um plano de monitoramento da qualidade das suas águas minerais. Portanto, a compreensão da origem e distribuição de flúor na água pode ser útil na gestão deste recurso hídrico como, estratégia de gestão sustentável e análise de risco. No presente trabalho foram realizadas coletas e análises completas e complementares dos íons maiores e do íon fluoreto dissolvidos na água subterrânea principalmente em época de seca entre os anos de 2012 e 2013. Durante a amostragem, ainda foram realizadas medidas físico-químicas in situ do potencial hidrogeniônico (pH), condutividade elétrica (CE) e temperatura através da sonda multiparamétrica. Nos resultados foram observadas concentrações do fluoreto acima do padrão de potabilidade da de 1,5 mg/L, como no P-09 (Agosto/2013) com um valor de 3,49 e no P-10 com um valor de 1,62, ambas em épocas de seca. As águas minerais no parque foram classificadas como bicarbonata-sódica, bicarbonatada-mista e bicarbonatada-magnesiana. Foram encontradas correlações positivas entre o F/Na e o F/SO4. As altas concentrações de sódio na água podem aumentar a solubilidade do flúor. Foi considerado que o gnaisse, rocha com muita biotita identificada no local de estudo, seria a principal fonte de flúor para essas águas naturais, principalmente para a Gruta dos Pingos.
A AGRICULTURA EM ECOSSISTEMAS URBANOS: UM PASSO PARA A SUSTENTABILIDADE DAS CIDADES
AUTOR: Thayza de Oliveira Batitucci / ORIENTADORES: Ângela Alves de Almeida e Erika Cortines
Um dos principais desafios da atualidade é estabelecer estratégias sustentáveis de modo a solucionar as dificuldades provenientes do processo de urbanização, industrialização e crescimento populacional. Por sustentabilidade entende-se como, uma mudança social que acrescenta ao modelo de crescimento econômico-industrial, as variáveis ambientais e sociais. Nesse sentido, Agricultura Urbana (AU) possui a capacidade de desempenhar relações sustentáveis nas dimensões econômica, social e ambiental das cidades. É definida como uma atividade localizada no interior ou na borda da zona urbana, que cultiva, processa e distribui uma variedade de produtos alimentares ou não. Trata-se de uma atividade tradicional do meio rural, mas que é realizada no ambiente urbano, a qual precisa estar em consonância com a complexa teia de interações existentes no ambiente que está inserida, afim de promover a sustentabilidade no meio urbano. A Ecologia Urbana surge como uma alternativa para estudar o ambiente urbano como um ecossistema, e as interações provenientes da AU. Sendo assim, o objetivo desse trabalho é analisar sob a ótica da ecologia urbana, as interações das atividades agrícolas no ecossistema urbano, analisando quais as contribuições AU para a sustentabilidade das cidades. Este estudo foi desenvolvido por meio de uma revisão bibliográfica e um estudo de caso sobre o Programa de Agricultura Urbana, promovido na região metropolitana do Rio de Janeiro pela Assessoria e Serviços a Projetos de Agricultura Alternativa (AS-PTA). Através da análise, observou-se grande provisão de serviços como geração de renda, aumento na conservação da biodiversidade, inclusão social, melhoria no fluxo de transportes, entre outros. Com isso, a agricultura urbana se configura como um importante mecanismo de equilíbrio, atendendo a uma relação benéfica com os componentes do ecossistema urbano.
EFEITOS DA FLORAÇÃO SOBRE A FAUNA DE FORMIGAS QUE FORRAGEIA SOBRE Bauhinia monandra Kurz. (LEGUMINOSAE: CAESALPINIOIDEAE)
AUTOR: Wésley Altino Flores / ORIENTADOR: FÁBIO SOUTO DE ALMEIDA
O objetivo do presente trabalho foi estudar a influência da floração e de características das árvores da espécie Bauhinia monandra Kurz sobre a fauna de formigas que nela forrageia, em área urbana do município de Três Rios-RJ. As formigas foram coletadas com armadilhas arbóreas em 15 árvores, sendo efetuada uma coleta no período de floração e outra no período sem flores. Foram coletadas 20 espécies de formigas, as quais são pertencentes a 11 gêneros e cinco subfamílias. As subfamílias com maior riqueza foram Formicinae (oito espécies) e Myrmicinae (seis espécies). O gênero com maior número de espécies foi Camponotus (seis espécies), seguido por Pseudomyrmex (três espécies). A riqueza de espécies total foi significativamente maior no período com floração (16 espécies) que no período sem flores (11 espécies) (Curva de Acumulação de Espécies; p < 0,05). O mesmo ocorreu com o Índice de Diversidade Shannon, foi significativamente maior no período com floração (2,28) que no período sem floração (1,81) (Teste t; t = 2,01; p = 0,048). Além disso, a composição da fauna de formigas entre as épocas com e sem floração variou expressivamente. O diâmetro da copa influenciou positivamente a riqueza de espécies de formigas por árvore (Regressão Múltipla Passo-a-Passo; R2 = 52,36%; F = 14,290; p < 0,01). Quando incluídas no mesmo modelo matemático, o diâmetro da copa, a circunferência a altura do peito e o número de flores explicaram significativamente mais de 56% da variação da riqueza de espécies de formigas por árvore (Regressão Múltipla Passo-a-Passo; R2 = 56,25%; F = 4,715; p = 0,02). Pode-se inferir que a floração de B. monandra propicia recursos adicionais para a fauna de formigas, aumentando a riqueza e a diversidade de formigas na época que as árvores estão com flores. Além disso, as árvores maiores apresentam mais espécies de formigas. Isso demostra que as práticas de preservar as árvores mais antigas da arborização urbana e de evitar podas desnecessárias podem propiciar a presença de uma maior gama de espécies de formigas nas cidades