AVALIAÇÃO DOS REGISTROS DE ATROPELAMENTO DE FAUNA EM UM TRECHO DA BR-393, RODOVIA LÚCIO MEIRA

Postado em 30 de março de 2026   -   Tempo de leitura: 0 min.   -   Ver mais Monografias dos discentes do Campus Três Rios  
AUTOR
Hanna Souza de Jesus
ORIENTADOR
Fábio Souto de Almeida
RESUMO
Embora as rodovias sejam fundamentais para o desenvolvimento humano e integração territorial, elas também representam uma significativa fonte de problemas para o meio ambiente ao seu redor. Uma das adversidades mais relevantes associadas às rodovias é o atropelamento de fauna. Assim, esta monografia teve o objetivo de avaliar os registros de atropelamento de fauna na BR-393 (Rodovia Lúcio Meira) dentro do trecho que esteve sob concessão da empresa K-Infra Rodovia do Aço S/A em oito municípios, sendo um no estado de Minas Gerais (Além Paraíba) e sete no estado do Rio de Janeiro: Sapucaia, Três Rios, Paraíba do Sul, Rio das Flores, Vassouras, Barra do Piraí e Volta Redonda. Foi utilizada a base de dados da empresa supracitada referente ao período de janeiro de 2015 a fevereiro de 2025. Foi constatado o total de 1249 registros de animais atropelados no período avaliado no trecho da BR-393 em estudo. Deste total, 5 indivíduos não foram classificados nem sequer a nível de Classe. Foi registrado o total de 61 espécies, com a identificação de 43 espécies (70,49% do total). O sagui (Callithrix sp.) foi identificado apenas ao nível de gênero e 17 espécies foram identificadas apenas ao nível de Classe. Em relação às aves, foram 56 indivíduos (4,48% do total de animais atropelados) de 19 espécies (31,15% do total de espécies atropeladas), com 15 espécies sendo identificadas. A Classe Mammalia apresentou o maior número de indivíduos (1094 indivíduos; 87,59% do total) e de espécies (33 espécies; 54,10% do total) com registro de atropelamento no trecho da na BR-393 em estudo. Foram identificadas 24 espécies de mamíferos. Nove espécies de répteis (14,75% do total) tiveram registro de atropelamento, mas apenas cinco foram identificadas. O total de répteis atropelados e registrados durante o período avaliado foi de 94 indivíduos (7,53% do total). Assim, a porcentagem de espécies e, principalmente, de indivíduos de mamíferos com registro de atropelamento no trecho estudado da BR-393 foi expressivamente maior que das demais classes. É importante destacar que anfíbios e insetos estão entre os demais grupos de animais que provavelmente são atropelados na BR-393, mas infelizmente não ocorreram registros de espécies destes grupos. Cerca de 39,3% dos indivíduos cujo atropelamento foi registrado pertencem à espécie Hydrochoerus hydrochaeris (Linnaeus, 1766) (capivara). Foi observada uma variação expressiva no número de atropelamentos registrados entre os anos avaliados. Excluído o ano de 2025, o ano com o menor número de atropelamentos registrados (ano de 2015) teve cerca de quatro vezes menos registros que o ano de 2020. Esta variação pode ter ocorrido em função de variações do fluxo de veículo na rodovia, mas também pela variação da efetividade do registro dos atropelamentos. A pandemia de COVID-19 pode ter influenciado o fluxo de veículos e, consequentemente, o número de atropelamentos. Contudo, é bastante provável que a variação da eficiência do registro de atropelamentos ao longo dos anos em estudo seja o principal fator causador das variações constatadas. Assim, os mamíferos são os animais com maior frequência de registros de atropelamento na BR-393 no período analisado. Também pode-se concluir que é necessário aperfeiçoar o sistema de registro de atropelamentos de fauna e devem ser implantadas medidas para reduzir o número de acidentes envolvendo animais na rodovia em estudo.



MONOGRAFIA



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