GESTÃO DOS RESÍDUOS DE EQUIPAMENTOS ELETROELETRÔNICOS (REEE): UMA ANÁLISE DA PERCEPÇÃO DA POPULAÇÃO DO MUNICÍPIO DE TRÊS RIOS-RJ

Postado em 30 de março de 2026   -   Tempo de leitura: 0 min.   -   Ver mais Monografias dos discentes do Campus Três Rios  
AUTOR
Andrea Cristina Ferreira Longo
ORIENTADOR
Fabio Cardoso Freitas
RESUMO
A gestão dos resíduos de equipamentos eletroeletrônicos (REEE) representa um dos grandes desafios ambientais da contemporaneidade, sobretudo em cidades com até 100 mil habitantes como Três Rios (RJ). O avanço tecnológico, aliado à rápida obsolescência dos dispositivos e ao consumo acelerado, tem contribuído para o aumento exponencial do volume de e-lixo gerado no Brasil, país que lidera a produção desses resíduos na América do Sul. Diante desse cenário, torna-se urgente compreender como a população se relaciona com o descarte desses materiais e qual o grau de efetividade das políticas públicas de logística reversa em contextos locais. Esta pesquisa teve como objetivo diagnosticar a percepção da população trirriense quanto a gestão do lixo eletrônico. A pesquisa foi conduzida por meio da aplicação de um questionário semiestruturado a 122 moradores de diferentes bairros do município. Os dados obtidos revelaram que, embora 77% dos participantes afirmem conhecer o termo "lixo eletrônico", esse conhecimento se mostra limitado a dispositivos de uso comum, como pilhas, celulares e computadores, sem abarcar outros componentes igualmente perigosos. Apenas 17% dos respondentes disseram utilizar os Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) disponibilizados pelo município, enquanto práticas inadequadas, como o armazenamento em casa (36%) e o descarte no lixo comum (28%), ainda são comuns. O desconhecimento sobre a existência e funcionamento dos PEVs foi identificado como um dos principais entraves à efetividade da logística reversa em Três Rios: 65% dos entrevistados afirmaram não saber onde há pontos de coleta na cidade. Além disso, a ausência de pontos de coleta próximos às residências foi apontada como o maior desafio para o descarte adequado (56 menções), seguido pela falta de informação sobre como realizar o descarte (45 menções). Esses dados evidenciam não apenas falhas estruturais, mas também deficiências informacionais e de comunicação institucional. Por outro lado, o estudo também identificou um alto grau de sensibilidade ambiental entre os participantes: 87% reconhecem os impactos negativos do lixo eletrônico sobre a saúde humana e o meio ambiente. Quando convidados a sugerir ações ao poder público, os moradores destacaram, sobretudo, a necessidade de ampliar os pontos de coleta (43 menções), promover educação ambiental contínua (40), implantar coleta domiciliar (37) e intensificar a divulgação sobre os procedimentos corretos de descarte (33). Esses resultados sugerem que, embora a infraestrutura atual seja limitada, há uma base social disposta a aderir às práticas de descarte adequado, desde que haja condições materiais e informacionais para isso. O trabalho demonstra que o município de Três Rios carece de uma política estruturada e integrada de gestão dos resíduos eletroeletrônicos. A combinação de ações educativas permanentes, comunicação eficaz, ampliação da infraestrutura de coleta e articulação com a sociedade civil pode potencializar significativamente a efetividade da Política Nacional de Resíduos Sólidos no contexto local, promovendo avanços concretos na sustentabilidade urbana.



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