DIVERSIDADE DE PEIXES E PADRÕES ESPACIAIS EM FUNDOS ROCHOSOS DA BAÍA DA ILHA GRANDE (RJ)

Postado em 30 de março de 2026   -   Tempo de leitura: 0 min.   -   Ver mais Monografias dos discentes do Campus Três Rios  
AUTOR
Beatriz da Costa e Castro
ORIENTADORES
Leonardo Mitrano Neves
Lécio de Carvalho Junior
RESUMO
A estrutura e a diversidade das assembleias de peixes de habitats rochosos são moldadas por processos ecológicos (como a relação espécie-habitat) e por fatores ambientais (por exemplo, distância da foz de rios e visibilidade) que podem atuar em diferentes escalas espaciais. No presente estudo, investigamos a diversidade e padrões espaciais das assembleias de peixes em fundos rochosos, além de compreender qual a importância de diferentes variáveis ambientais e atributos do habitat para a distribuição das assembleias de peixes. As amostragens foram realizadas entre junho de 2023 e abril de 2025 em 21 lajes, parcéis, recifes continentais e insulares da Baía da Ilha Grande, RJ, em três blocos dispostos a diferentes distâncias da foz de rios: Búzios, Piraquara e Sandri. As amostragens foram realizadas através do método de filmagens remotas subaquáticas com isca (BRUV - Baited Remote Underwater Video). O tipo de habitat dominante, a complexidade topográfica e a visibilidade foram estimadas e categorizadas. Os padrões espaciais das variáveis ambientais e de estrutura do habitat foram avaliados através da Análise dos Componentes Principais (PCA). A análise de permutação multivariada foi utilizada para investigar as variações espaciais na estrutura da assembleia de peixes. A análise canônica das coordenadas principais (CAP) foi utilizada para identificar os eixos que melhor discriminam os blocos. O Modelo Linear Baseado em Distância foi utilizado para investigar os preditores do habitat que melhor explicaram a variação na assembleia de peixes. Os fundos rochosos do presente estudo foram cobertos principalmente por macroalgas, mas demonstraram diferenças na proporção de matrizes de algas epilíticas (turf), macroalgas de dossel e na complexidade topográfica. O total de 868 indivíduos representando 80 táxons e 31 famílias foram registrados. A estrutura da assembleia de peixes variou entre os blocos da Piraquara, sujeito a influência estuarina constante e Búzios, de maior influência marinha. A complexidade topográfica, a distância da foz de rios, a cobertura de macroalgas de dossel, temperatura, turbidez, profundidade e salinidade foram selecionados como os principais preditores da variação espacial da assembleia de peixes, explicando 35% da variação total. A complexidade topográfica explicou a maior porcentagem da variação da assembleia (12%), que foi associada a dois ambientes distintos: recifes submersos estruturalmente complexos e fundos rochosos planos. Tais ambientes estão distribuídos independentemente da distância da costa, resultando nas similaridades das assembleias entre os blocos. O presente estudo ressalta a importância ecológica de fundos rochosos, como lajes e parcéis, abrigando assembleias de peixes com características espaciais distintas dos recifes insulares rasos.



MONOGRAFIA



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