Monografias dos discentes do Campus Três Rios
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ESTUDO E APLICAÇÃO DE FERRAMENTAS DE SIG PARA A EXPANSÃO E OTIMIZAÇÃO DAS ROTAS DE COLETA SELETIVA EM PARAÍBA DO SUL-RJ
AUTOR: Maria Eduarda Guedes Meirelles / ORIENTADORES: SADY JÚNIOR MARTINS DA COSTA DE MENEZES e Fábio Cardoso de Freitas
A geração de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) tem aumentado de forma contínua, criando uma crescente demanda por infraestrutura e logística adequadas. Em 2022, o Brasil gerou aproximadamente 81,8 milhões de toneladas de RSU, o equivalente a cerca de 224 mil toneladas diárias. Para enfrentar os desafios decorrentes desse aumento, foi instituída, em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, com o objetivo de estabelecer diretrizes e instrumentos para o gerenciamento desses resíduos, abrangendo as etapas de coleta, transporte, tratamento e destinação final ambientalmente adequada. A coleta seletiva, um dos principais instrumentos dessa política, é definida como a coleta de resíduos segregados previamente com base em sua constituição e composição, visando o reaproveitamento dos materiais. Considerando que as atividades de coleta e transporte de resíduos absorvem de 40% a 60% do orçamento municipal destinado à limpeza urbana, é essencial um planejamento eficaz das rotas de coleta de resíduos recicláveis. Neste contexto, o presente estudo propôs a utilização de ferramentas de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) para a ampliação e otimização das rotas de coleta seletiva no município de Paraíba do Sul. Para atingir o objetivo deste trabalho, a rota atualmente realizada no município foi analisada e posteriormente comparada a quatro novas rotas otimizadas, em dois cenários distintos: rotas mais rápidas e rotas mais curtas, distribuídas em itinerários de segunda, quarta e sexta-feira, e terça e quinta-feira. Os resultados obtidos indicam que a abrangência total percorrida mensalmente na rota atual é de 509,32 km, com um consumo de aproximadamente 240 litros de diesel, o que corresponde a um custo de R$ 1.413,60. Quando comparadas às rotas otimizadas na modalidade "mais rápida", a extensão total aumentou em 92,64%, passando para 981,20 km, com um consumo de 245,3 litros de diesel, correspondendo a um valor de R$ 1.444,81, resultando assim, em um acréscimo de apenas R$ 31,21 no custo mensal de combustível. Por outro lado, ao optar pelas rotas mais curtas, a extensão aumentou em 81,81%, passando para 926 km, com um consumo de 231,5 litros de diesel, que corresponde a um valor de R$ 1.363,53, representando uma economia de R$ 50,07 no custo mensal de combustível. Esses resultados demonstram que a otimização das rotas de coleta seletiva pode gerar ganhos significativos em eficiência, tanto em termos de redução de custos quanto de melhor planejamento do tempo por meio de uma gestão mais eficaz dos recursos destinados ao transporte de resíduos.
LEVANTAMENTO DE FAUNA NO DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DE ESTUDOS E RELATÓRIOS DE IMPACTO AMBIENTAL NA REGIÃO SUDESTE
AUTOR: Viviane Ribeiro Barros Gomes / ORIENTADORES: FÁBIO SOUTO DE ALMEIDA e Johnatan Jair de Paula Marchiori
A exploração dos recursos naturais essenciais para o ser humano não é realizada atualmente de forma sustentável, ocorrendo diversas atividades antrópicas que provocam degradação ambiental que acarreta severas consequências para a sociedade e também afeta negativamente a biodiversidade. Os serviços ecossistêmicos prestados pela natureza são essenciais para o bem-estar humano e para a economia, entretanto, a perda da fauna vem dificultando a manutenção de tais serviços, pois os animais participam de diversas interações e processos ecológicos vitais para o equilíbrio dos ecossistemas. Os Estudos de Impacto Ambiental (EIAs) e os consequentes Relatórios de Impacto Ambiental (RIMAs) servem para analisar as mudanças causadas por atividades ou empreendimentos nos componentes ambientais do meio físico, biótico e socioeconômico, buscando conhecer antecipadamente as possíveis consequências danosas e, ainda, implementar medidas com o objetivo de reduzir as adversidades dos projetos. Na preparação do EIA/RIMA, é realizado o diagnóstico ambiental da área de influência do empreendimento, incluindo o levantamento de informação sobre a fauna. Porém, observam-se falhas nos EIA/RIMAs que podem comprometer o alcance dos seus objetivos, não abrangendo todas as espécies da fauna e não avaliando corretamente os impactos que poderão sofrer. O presente trabalho teve como objetivo estudar os diagnósticos ambientais relativos à fauna em EIA/RIMAs no Sudeste do Brasil. Para a coleta dos dados, foram utilizados EIA/RIMAs obtidos em web sites institucionais de autarquias da região Sudeste. Foram selecionados 27 estudos no total, sendo nove confeccionados para cada um dos seguintes tipos de empreendimentos: hidrelétricas; rodovias; e mineração. A área de influência dos estudos ambientais avaliados abrangeu expressiva variabilidade de habitats, incluindo ambientes terrestres e aquáticos, com a presença de ecossistemas que apresentam elevada diversidade de espécies da fauna brasileira, como as florestas tropicais. Isto indica que expressivo número de grupos taxonômicos da fauna foram impactados pelos empreendimentos em estudo. Os invertebrados, incluindo os insetos e demais grupos taxonômicos do Filo Arthropoda, tiveram pouca visibilidade nos estudos, provavelmente pela maioria das espécies do grupo não serem carismáticas, mesmo com a Classe Insecta sendo a mais diversificada. É evidente a prevalência de informações sobre vertebrados e, especialmente, sobre aves e mamíferos. Diversas técnicas foram utilizadas para a obtenção de dados sobre a fauna, incluindo registros por armadilhas fotográficas, as buscas ativas, a identificação de vestígios, as entrevistas, a pesquisa bibliográfica, o registro visual e o registro sonoro. Os maiores números de espécies ameaçadas citadas como ocorrendo na área de influência dos empreendimentos foram de aves e de mamíferos. Foi observada apenas uma espécie de inseto ameaçada de extinção e inúmeros grupos taxonômicos sequer foram citados. É necessário que as equipes que elaboram os EIA/RIMAs deem maior atenção a grupos de animais que até então são negligenciados. Além disso, os órgãos ambientais competentes devem criar Termos de Referência/ Instruções Técnicas mais rígidas no que tange o levantamento de informações sobre a fauna em estudos ambientais. Palavras-chave:
LEVANTAMENTO DA FAUNA DE VERTEBRADOS DA RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL MAURO ROMANO, VASSOURAS-RJ
AUTOR: Victor Moreira da Costa Nascimento / ORIENTADORES: Erika Cortines e FÁBIO SOUTO DE ALMEIDA
A área administrada atualmente pela Associação Civil Vale Verdejante, situada no município de Vassouras-RJ, era utilizada como pastagem até a Associação promover o seu reflorestamento visando a recuperação dos ecossistemas nativos. Em dezembro de 2020, uma porção da área foi convertida em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), sendo estabelecida a Unidade de Conservação Municipal denominada RPPN Mauro Romano. Neste contexto, é relevante gerar informações sobre a fauna local, visando embasar as ações de manejo da RPPN voltadas à conservação da biodiversidade. Este trabalho teve como objetivo realizar o levantamento da fauna de vertebrados da RPPN Mauro Romano. Para obter fotografias dos vertebrados que utilizam a área da RPPN, uma câmera TRAP foi instalada por revezamento em cinco pontos, sendo que em cada ponto permaneceu em média 15 dias. Após esse tempo, as imagens foram analisadas e os espécimes fotografados foram identificados através da consulta de literatura, websites e especialistas dos grupos taxonômicos. Também foi realizado o levantamento das espécies vegetais do reflorestamento que servem de alimento para a fauna e identificados os fragmentos florestais do entorno da RPPN. No total de 84 aparições, foram registradas 14 espécies de vertebrados, pertencentes a três classes (Aves, Mammalia e Reptilia) e 13 famílias. Nenhuma das espécies encontradas consta na lista oficial de espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção. A classe das aves representou 50% das espécies (7), Mamíferos 43% (6) e répteis 7% (1). Das espécies vegetais do reflorestamento podemos destacar as frutíferas Inga edulis, Eugenia uniflora,Psidium guajava e Euterpe edulis dentre outras que podem servir de alimento para a fauna de vertebrados e desempenhar um papel ecológico importante no reflorestamento. Quanto aos fragmentos florestais, foram encontrados 15 fragmentos a cerca de 1 km da RPPN, variando de 0,6 ha a 50 ha. Estes podem garantir o fluxo na paisagem para algumas espécies que percorrem distâncias maiores. Conclui-se que a RPPN Mauro Romano abriga vertebrados relevantes para a paisagem da região e para a sustentabilidade do reflorestamento. Novas pesquisas podem aumentar a lista de espécies de vertebrados da unidade de conservação e motivar outras ações de conservação na região.
JUSTIÇA AMBIENTAL NA ERA DA EBULIÇÃO GLOBAL
AUTOR: CAROLINA ELY BRUM CESÁRIO / ORIENTADOR: ANA PAULA PERROTA FRANCO
Este trabalho investiga os conceitos de justiça ambiental e refugiados climáticos no contexto da Grande Aceleração, período caracterizado pela intensificação de desastres ambientais e pelo aumento de migrantes climáticos, como evidenciado pelas chuvas em Petrópolis, onde milhares de pessoas precisaram abandonar suas casas. A análise do município de Petrópolis revela uma negligência histórica na ocupação urbana e na gestão de riscos ambientais. Essa negligência tem contribuído para tragédias recorrentes, além de aprofundar as desigualdades sociais. O estudo identifica lacunas significativas na gestão pública local, que se tornam ainda mais evidentes diante da rapidez das mudanças climáticas. Ainda se tratando de desigualdade social, acentuada cada vez mais pelas mudanças climáticas, também é possível observa-la dentro de uma perspectiva global, envolvendo comunidades ao redor do planeta. A partir dessa problemática, conclui-se que há a necessidade do fortalecimento de medidas voltadas a proteção dos refugiados climáticos, incluindo uma abordagem abrangente e plural. Essa abordagem deve incluir a cooperação global entre países, bem como a implementação de políticas públicas estruturadas e eficazes nos níveis nacionais e municipais. O trabalho destaca a importância de diretrizes voltadas para a inclusão social, com ênfase na proteção das comunidades mais vulneráveis aos desastres ambientais, ao apresentar a realidade de milhões de pessoas, que enfrentam de forma feroz as catástrofes climáticas. Além disso, contribui para informar sobre a velocidade e consequências das mudanças climáticas, enfatizando a necessidade de medidas de mitigação.
DINÂMICA SAZONAL DA AGREGAÇÃO DO TUBARÃO GALHA-PRETA (CARCHARHINUS LIMBATUS) NA BAÍA DA ILHA GRANDE, RJ
AUTOR: Thaissa Albuquerque Ribeiro Augusto / ORIENTADOR: Leonardo Mitrano Neves
As agregações de tubarões podem ser impulsionadas por fatores como reprodução, alimentação e busca por refúgio, resultando em movimentos e migrações com padrões sazonais e diários bem definidos. Estudar essas agregações é essencial para compreender melhor o comportamento e a ecologia das espécies, além de apoiar o desenvolvimento de estratégias de conservação mais eficazes. O objetivo deste estudo foi investigar a variação sazonal do tubarão galha-preta (Carcharhinus limbatus) na enseada de Piraquara de Fora, Baía da Ilha Grande, gerando conhecimento científico para a gestão de uma Unidade de Conservação de Proteção Integral. A identificação e determinação do sexo dos tubarões foram realizadas por meio de filmagens subaquáticas com isca (BRUV), e a abundância foi estimada com o uso de transectos aéreos feitos por drones, no período de maio de 2023 a julho de 2024. Os dados de abundância foram obtidos a partir de quadros estáticos extraídos de voos a 70 m de altura, totalizando 184 quadrantes. A análise de variância multivariada permutacional (PERMANOVA) foi utilizada para identificar as variações na abundância de tubarões entre os meses de amostragem. Um total de nove indivíduos da espécie Carcharhinus limbatus foi registrado pelos BRUVs nos meses de junho de 2023, e maio, junho e julho de 2024. Três desses indivíduos foram identificados como fêmeas, enquanto o sexo dos demais não pôde ser determinado. As agregações foram observadas nos transectos aéreos durante os meses de outono e inverno (maio a setembro), com maiores valores em maio e junho, em comparação com agosto e setembro (PERMANOVA, p < 0,001). O número máximo de tubarões observados simultaneamente ocorreu em maio de 2023 (113 indivíduos), caindo drasticamente em setembro (5 indivíduos), não sendo observados indivíduos no mês de outubro. A ocorrência de fêmeas adultas em águas rasas e quentes indica para uma possível agregação reprodutiva. Os resultados sugerem um evento de migração sazonal massiva em maio, com dispersão gradativa dos indivíduos entre agosto e setembro. Os tubarões foram encontrados ao longo de toda a enseada, mas geralmente em maior número próximo à Ilha Pingo D’Água, pertencente à Estação Ecológica de Tamoios, destacando a importância dessa área protegida para a conservação dos elasmobrânquios no estado do Rio de Janeiro.
CONFLITOS QUANTO AO USO E OCUPAÇÃO DO TERRENO COM BASE NA CLASSIFICAÇÃO DOS NÍVEIS DE SUSCETIBILIDADE A MOVIMENTO DE MASSA NO MUNICÍPIO DE TRÊS RIOS – RIO DE JANEIRO
AUTOR: JULIANNE VITAL MARTINS / ORIENTADOR: SADY JÚNIOR MARTINS DA COSTA DE MENEZES
Os conflitos relacionados ao uso e ocupação do terreno são relevantes, sobretudo nas áreas de expansão urbana e em regiões suscetíveis a movimentos de massa. Problemas como esses são decorrentes do processo de urbanização desordenada e pela ocupação irregular de áreas de risco, como as áreas non aedificandi. Tais áreas são regulamentadas por legislações específicas e desempenham um papel essencial na preservação ambiental e na segurança pública, especialmente em localidades vulneráveis a desastres naturais. No município de Três Rios, a crescente demanda por habitação e infraestrutura tem levado à ocupação inadequada desses espaços, expondo a população a riscos ambientais e estruturais, portanto, o objetivo deste estudo é realizar uma análise da suscetibilidade a movimentos de massa associada aos conflitos de uso e ocupação do terreno no município, com ênfase nas áreas non aedificandi e faixas de domínio da BR-040, BR-393, RJ-131 e linhas férreas que cruzam o território. A metodologia adotada baseou-se no uso de ferramentas de geoprocessamento e análise espacial em sistema SIG (QGIS), incluindo dados do MapBiomas e imagens de satélite para delimitar áreas de risco e realizar uma análise temporal da expansão urbana entre 1985 e 2021, além a criação de buffers para identificar as dimensões das faixas de domínio e as ocupações existentes. Os resultados encontrados no presente trabalho evidenciam o impacto do crescimento urbano desordenado, com um aumento expressivo da ocupação em áreas de médio e alto risco de deslizamentos. Entre 1985 e 2021, a área urbanizada no município cresceu de 4,036 km² para 13,679 km², sendo grande parte desse crescimento direcionado para áreas de declividade elevada e regiões próximas a rodovias e ferrovias. Embora esses locais sejam protegidos por legislação, têm sido alvo de ocupações irregulares, agravando os riscos de desastres e comprometendo a infraestrutura de transporte. Além disso, foi observada a ausência de fiscalização e a pouca aplicação de planos urbanísticos, o que intensifica os conflitos e a vulnerabilidade da população. A conclusão do estudo destaca a necessidade de um planejamento urbano mais rigoroso, integrado a diretrizes de gestão de riscos e fiscalização efetiva. A ocupação inadequada de áreas non aedificandi e faixas de domínio representa um desafio crítico para a sustentabilidade ambiental e a segurança pública em Três Rios, exigindo medidas concretas para mitigar os impactos negativos da expansão urbana desordenada.
ANÁLISE DA OCUPAÇÃO DAS FAIXAS MARGINAIS DE PROTEÇÃO DO RIO PARAÍBA DO SUL NA ÁREA URBANA DO MUNICÍPIO DE TRÊS RIOS-RJ
AUTOR: EMANUELLA TEIXEIRA DE AZEVEDO SOUZA / ORIENTADOR: SADY JÚNIOR MARTINS DA COSTA DE MENEZES
Estabelecidas pelo Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) as Faixas Marginais de Proteção são áreas destinadas à preservação ao longo dos cursos d'água, com o objetivo de garantir a proteção dos corpos hídricos e promover o equilíbrio ecológico. A expansão urbana desordenada e a ocupação irregular dessas faixas, especialmente ao longo do Rio Paraíba do Sul, representam desafios consideráveis para o município de Três Rios, no Rio de Janeiro. O crescimento populacional acelerado e a falta de um planejamento urbano adequado resultaram na ocupação dessas áreas, provocando impactos ambientais como a poluição da água, aumento da vulnerabilidade a desastres naturais, como enchentes e perda de habitats naturais. O presente estudo tem como objetivo analisar os impactos da expansão urbana nas FMPs do Rio Paraíba do Sul, explorando as consequências ambientais e legais dessa ocupação nas áreas de mananciais hídricos. Foi realizada uma análise temporal da urbanização do município, a identificação das ocupações irregulares nas FMPs e a avaliação da suscetibilidade a alagamentos. Foram utilizados dados provenientes do MapBiomas, CPRM e IBGE, além do software QGIS para a delimitação das FMPs e imagens de satélite para a análise da expansão urbana. Os resultados indicaram que, apesar da redução nas ocupações irregulares nas FMPs nas últimas décadas, muitas áreas já consolidadas permanecem vulneráveis, especialmente no que diz respeito aos riscos de inundações, situação que é ainda mais exacerbada pela intensificação de eventos climáticos extremos. Torna-se evidente a necessidade de um fortalecimento das políticas públicas, com ênfase em programas de reassentamento, investimentos em infraestrutura de transferência e iniciativas de educação ambiental para promoção de práticas de ocupação sustentável. Além disso, a carência de dados atualizados e acessíveis dificulta a fiscalização e o cumprimento das normas ambientais, comprometendo a eficácia do planejamento urbano e da gestão ambiental. Este trabalho destaca a urgência de um planejamento urbano mais integrado à preservação ambiental, além da implementação de ações concretas para mitigar os impactos das ocupações irregulares nos FMPs, garantindo tanto a segurança da população quanto a conservação dos recursos hídricos.
A EVOLUÇÃO DA GESTÃO AMBIENTAL NO BRASIL
AUTOR: Yasmin Azevedo Manaia Da Silva / ORIENTADOR: FÁBIO CARDOSO DE FREITAS
O setor ambiental brasileiro vem enfrentando crises desde a Revolução Industrial. Com isso, houve uma movimentação, inspirada pelas dificuldades vividas no presente e previstas para o futuro, marcada por eventos mundiais com a intenção de gerar um desenvolvimento sustentável, políticas ambientais, legislações e ciência. Como um dos resultados dessas movimentações, originou-se o curso de Gestão Ambiental, com cerca de 21 anos de existência no grau bacharel no Brasil. O objetivo deste trabalho é medir a evolução da Gestão Ambiental, utilizando como métrica a oferta de cursos bacharéis por Instituições de Ensino Superior (IES) Públicas na área e descrever brevemente a atuação do profissional no mercado de trabalho como consultor ambiental. Os dados dessa pesquisa foram oriundos principalmente do Sistema e-MEC (Sistema de Regulação do Ensino Superior do Ministério da Educação) e sites oficiais das IES e seus Projetos Pedagógicos de Curso (PPC). Constatou-se que, até o momento desta pesquisa, existem 23 IES cadastradas no e-MEC com o bacharelado de Gestão Ambiental, sendo 2 destes em extinção e 2 não iniciados. Essas IES estão presentes em todas as grandes regiões do Brasil, sendo 43% se localizando no Sul do país; 24% no Sudeste do país; 14% no Centro-Oeste; 9% no Norte e 10% no Nordeste. Além disso, o estado que abriga o maior número de cursos de GA no Brasil é o Rio Grande do Sul (RS), com 9 cursos ativos, sendo 7 da UERGS que justifica tantos cursos por abrigar um dos maiores centros agropecuários do país. Outros estados como Mato Grosso, Pará e Minas Gerais também se destacam em suas produções agropecuárias, minerais e industriais, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), porém não apresentam o mesmo perfil do estado do RS, são estados que não sediam cursos ativos de Gestão Ambiental, salvo o Pará, que abriga apenas uma sede. Outro ponto a se observar é o acesso a informação destes cursos, que de forma geral, é satisfatório, porém encontra algumas falhas em determinadas IES, como o Instituto Federal Goiano (IF Goiano), que não possui dados atuais e ativos sobre o curso na instituição, além de não estar incluso no último processo seletivo para cursos superiores. Através de conhecimentos bibliográficos e empíricos, esta pesquisa mencionou a área de atuação do profissional na consultoria ambiental, empresa de assessoramento ambiental para empresários (em sua maioria), que em suas principais demandas estão o licenciamento ambiental, a gestão de resíduos sólidos e a gestão ambiental empresarial, demandas que usufruem da interdisciplinaridade do profissional. Por fim, foi possível concluir que a Gestão Ambiental apresenta evolução, mas que existe um desequilíbrio se comparado com a evolução das crises ambientais. O ritmo das urgências ambientais não é acompanhado pelo ritmo da mitigação das crises ambientais (e tudo que a envolve). Por isso, é necessário que haja um contínuo investimento em projetos de extensão, projetos científicos e em aumento de vagas e campus ofertando e falando sobre o curso, gerando mais difusão do curso. Palavras-
ANÁLISE DE ILHAS DE CALOR ATRAVÉS DE SENSORIAMENTO REMOTO NA CIDADE DE TRÊS RIOS – RJ
AUTOR: Pedro Siqueira Georgino / ORIENTADORES: Olga Venimar de Oliveira Gomes e Yuri Matheus Neves Silva
O fenômeno de Ilhas de Calor Urbano vem se tornando um importante assunto junto às mudanças climáticas, sobretudo por sua ocorrência em cidades de pequeno porte como Três Rios - RJ. Esse fenômeno tem como característica o aumento de temperatura nos meios urbanos em relação às zonas não urbanizadas no entorno, sendo responsável pelo desconforto térmico e pelo aumento da incidência de problemas de saúde atrelados ao aumento de temperatura. A presente monografia tem como objetivo identificar e discutir a incidência das ICU no município de Três Rios, Rio de Janeiro, durante o período de setembro/2018 a julho/2019 com base nas imagens do satélite Landsat 8, compreendendo todas as quatro estações do ano e suas particularidades. A partir das imagens disponibilizadas no site Earth Explorer, da United States Geological Survey, foram realizados cálculos para se obter, através do software QGIS versão 3.28.9, as imagens referentes à temperatura captada pelos sensores OLI e TIRS do satélite Landsat 8. Seguindo a metodologia, foram observados resultados mais amenos para temperatura em estações mais frias, inverno e outono, podendo ser descritos pela menor radiação solar sobre a área de estudo, enquanto em estações mais quentes, verão e primavera, obteve-se temperaturas mais elevadas. As medições variaram para o município de 12,94ºC, no dia 16 de junho de 2019, a 49,1ºC, dia 22 de dezembro. Observou-se também nas imagens que há expressiva diferença de temperatura quando analisadas áreas urbanizadas e áreas com presença de vegetação, evidenciando a sua influência no microclima do município de Três Rios. Analisados os pontos utilizados na pesquisa, foram constatadas a ocorrência de ICU de magnitude fraca, moderada e forte nos dias analisados, sendo o mais severo o dia 22 de dezembro de 2018, verão, que apresentou uma diferença de 5,34ºC no ponto P06, caracterizado por ser uma área urbana, em relação ao ponto de referência na zona rural, P01, e ilhas de frescor fraca e moderada, ressaltando-se o dia 03 de outubro de 2018, início do outono, onde houve uma diferenciação de até -2,68ºC no P04, caracterizado pelo Parque Natural Municipal. Comparados os resultados de pesquisas realizadas anteriormente a partir de medições utilizando transecto móvel e com a estação meteorológica fixa do INMET, nota-se a menor amplitude e temperaturas menos severas quando comparadas ao constatado pelos sensores do satélite, indicando que há uma maior influência da radiação solar sobre estes sensores, tornando as medições mais apropriadas para uma visão generalista e para estudos prévios à utilização de estações de medição de temperatura móveis, visando uma maior abrangência dos resultados. Com isso, conclui-se a necessidade de estudos como este para o planejamento urbano e tomada de decisão quanto ao desenvolvimento sustentável, visando a melhor qualidade de vida da população residente e a manutenção do microclima da cidade de Três Rios.
AVALIAÇÃO DA APLICABILIDADE DA UTILIZAÇÃO DE LIQUENS COMO INDICADORES DA POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA NO MUNICÍPIO DE TRÊS RIOS-RJ
AUTOR: Francismara Mamede Mendes / ORIENTADORES: FÁBIO SOUTO DE ALMEIDA e Olga Venimar de Oliveira Gomes
A poluição atmosférica é um grave problema, pois provoca inúmeros impactos ambientais, incluindo sérias doenças em seres humanos. Assim, é interessante realizar o monitoramento da qualidade do ar, especialmente em centros urbanos. Para tal, podem ser utilizados indicadores biológicos que forneçam informações de fácil obtenção sobre a qualidade do ar, a baixo custo e sem a necessidade de utilizar equipamentos complexos. O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia dos líquens como bioindicadores da poluição do ar no centro urbano do município de Três Rios-RJ. Foram selecionados seis pontos de coleta de dados no centro urbano do município de Três Rios-RJ. Em cada ponto foi obtida a porcentagem média de cobertura do tronco de árvores por líquens, utilizando 40 árvores por ponto, com a exceção de um ponto, onde foram utilizadas 19 árvores. Em cada ponto também foram obtidas as seguintes variáveis ambientais: monóxido de carbono (CO); dióxido de carbono (CO2); ozônio (O3), materiais particulados PM2,5 e PM10; temperatura do ar; pressão atmosférica e umidade relativa do ar. A porcentagem de cobertura do tronco por líquens foi maior no ponto 05 (PNM Três Rios – 7,65%), seguido do ponto 02 (Praça JK – 5,32%), do ponto 06 (Beira Rio – 3,91%), do ponto 03 (Praça São Sebastião – 3,95%), do ponto 01 (Praça dos Peixinhos – 2,70%) e do ponto 04 (Praça da Autonomia – 1,38%). Todos os pontos de coleta de dados foram enquadrados na Classe I de poluição do ar - grau de poluição muito forte. A exceção foi o ponto 5, que foi alocado na Classe II - grau de poluição alto. Não foi encontrada correlação significativa entre a porcentagem média de cobertura do tronco das árvores por líquens e os fatores estudados (Correlação de Spearman; p > 0,05). Todavia, cabe ressaltar a expressiva correlação negativa da porcentagem média de cobertura do tronco das árvores por líquens com a temperatura do ar (-0,43; p = 0,40) e, principalmente, com a concentração de CO2 (-0,60; p = 0,21). A correlação entre a porcentagem de árvores com liquens folhosos e o número de veículos em circulação foi significativa negativa (rs = -0,83; p = 0,04). Os resultados apontam para a existência de um cenário preocupante em relação à poluição atmosférica no centro urbano do município de Três Rios. Também apontam para a possibilidade de utilizar os liquens para monitorar a qualidade do ar no município, embora sejam necessários novos estudos para melhor elucidar a efetividade do uso dos liquens com este objetivo.
IMPACTOS AMBIENTAIS DE LINHAS DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA
AUTOR: Gabrielle da Silva Pereira / ORIENTADOR: FÁBIO SOUTO DE ALMEIDA
O aumento da demanda por energia elétrica no mundo inteiro acarreta no planejamento e execução de novos empreendimentos visando a geração de energia elétrica, como hidrelétricas, usinas fotovoltaicas, usinas eólicas e termelétricas. Além de gerar energia elétrica, é necessário que esta seja distribuída por todas as regiões dos países, visando proporcionar que toda a população tenha acesso à eletricidade. A região Sudeste do Brasil apresenta elevada demanda por energia elétrica, pois é a região mais populosa, além de ser expressivamente urbanizada e industrializada. Sendo assim, é necessário ter uma ampla rede de transmissão de energia elétrica. O objetivo deste trabalho é estudar os impactos ambientais provocados pelas linhas de transmissão de energia elétrica na região Sudeste e as medidas mitigadoras para tais impactos. As informações obtidas no presente trabalho foram retiradas de seis Relatórios de Impacto Ambiental (RIMA) e dois Estudos de Impacto Ambiental (EIA) de linhas de transmissão de energia elétrica. Com os dados obtidos, foram listados os impactos ambientais nas fases de planejamento, implantação e operação das linhas de transmissão de energia, considerando o meio físico, biótico e socioeconômico e a classificação dos impactos quanto à sua natureza (negativos ou positivos) e magnitude (baixa, média ou alta). Foram previstos seis, 53 e 40 impactos na fase planejamento, implantação e operação das linhas de transmissão de energia, respectivamente. A maioria dos impactos ambientais foram classificados como de natureza negativa. Foram previstos impactos ambientais positivos apenas para o meio socioeconômico, com exceção da geração de conhecimento científico sobre a fauna local, impacto do meio biológico. Dezesseis impactos foram classificados como de alta magnitude, entre estes estão o incomodo à população, a alteração da qualidade do ar, a perda e fragmentação de áreas de vegetação nativa, a dinamização da economia local, as interferências no patrimônio histórico arqueológico, o risco de acidentes de trabalho, a remoção de residências e a melhoria no fornecimento de energia elétrica. Diversas ações são recomendadas para reduzir ou eliminar a negatividade de impactos ambientais de linhas de transmissão de energia, sendo necessário que tais medidas mitigadoras sejam adequadamente planejadas, implementadas e monitoradas. Cabe ressaltar que importantes impactos positivos são proporcionados pelas linhas de transmissão de energia elétrica para o meio socioeconômico.
ANÁLISE DOS DIFERENTES TIPOS DE COBERTURA E USO DA TERRA NA RESERVA BIOLÓGICA ESTADUAL DE ARARAS E MONUMENTO NATURAL ESTADUAL DA SERRA DA MARIA COMPRIDA – PETRÓPOLIS/RJ
AUTOR: Henrique Vieira de Castro Carlos Ferreira / ORIENTADOR: SADY JÚNIOR MARTINS DA COSTA DE MENEZES
O desmatamento para expansão e implantação de atividades agropecuárias, o avanço da urbanização e a especulação imobiliária emergem como os principais impulsionadores das mudanças espaço-temporais no uso e cobertura da terra no bioma Mata Atlântica. Essas práticas ligadas ao uso da terra têm transformado paisagens naturais em ambientes antropizados. Compreender essa dinâmica por meio de técnicas avançadas de geoprocessamento e sensoriamento remoto é essencial, destacando-se como uma ferramenta de suma importância para a análise espacial dessas transformações. Os dados obtidos são cruciais para aprimorar a gestão territorial das unidades de conservação e respaldar estratégias preventivas e de reconhecimento. O objetivo deste estudo foi analisar e compilar dados de Cobertura e Uso da Terra da plataforma MapBiomas (Coleção 8) ao longo da série histórica (1985-2022) nos Territórios das Unidades de Conservação de Proteção Integral da Reserva Biológica Estadual de Araras e Monumento Natural Estadual da Serra da Maria Comprida no município de Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil. Na metodologia, foram utilizados softwares de Sistema de Informação Geográfica, com os dados importados e análises conduzidas por meio de Plugins de Código Aberto no QGIS. Posteriormente, foram realizadas análises utilizando o LecoS para cálculos de área e porcentagem da paisagem, e o SCP para avaliar a evolução do Uso da Terra e suas mudanças temporais nos anos de 1985, 1995, 2005, 2015 e 2022. Os principais resultados para a RBA mostram que, ao longo de 37 anos, aproximadamente 71 hectares (ha) de formação florestal foram convertidos para classes antrópicas, enquanto 120 ha passaram por regeneração vegetal, e 3.570 ha permaneceram inalterados, sendo o maior índice de desmatamento na porção oeste. Na sua zona de amortecimento, 4.426 ha permaneceram inalterados, 178 ha de formação florestal foram desmatados, e 589 ha passaram por regeneração. No território do MONAMSC, 6.502 ha permaneceram inalterados, 292 ha foram desmatados, e houve uma regeneração da vegetação de 628 ha. Para a zona de amortecimento gerada para o MONAMSC, 10.898 ha permaneceram inalterados, 640 ha de floresta foram convertidos para classes antrópicas, e 1.959 ha passaram por regeneração vegetal. Em conclusão, os resultados podem apoiar estratégias de gestão preventivas para identificar e reduzir a ocorrência dos desmatamentos que ocorrem nas Unidades de Conservação. Os resultados mostraram quais são a espacialização das áreas desmatadas, sua extensão e proporção, bem como se estão inseridas em propriedades cadastradas no CAR, identificando um possível avanço destas áreas.
GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS EM EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO: Estudo de caso em uma estação de tratamento de água no município de Angra dos Reis-RJ
AUTOR: João Lucas Paiva da Conceição / ORIENTADOR: Maíra Freire Pecegueiro do Amaral
O presente trabalho de conclusão de curso descreveu as atividades realizadas durante o treinamento para auxiliares de operação realizado em uma empresa privada responsável pelo tratamento de água em um empreendimento imobiliário localizado no município de Angra dos Reis-RJ. O principal foco desse trabalho foi apresentar o funcionamento dos dispositivos que compõem uma Estação de Tratamento de Água Compacta (ETA-C), bem como apresentar a rotina de operação e das análises físico-químicas que monitoram a qualidade de água realizada na estação de tratamento. Neste trabalho, foram descritos o funcionamento do processo de tratamento e das análises de qualidade de água buscado aferir seus valores e comparar aos parâmetros preconizados na Portaria GM/ MS nº 888, de 4 de maio de 2021, legislação vigente referente a parâmetros de potabilidade de água tratada. Por fim, ficou demonstrado que a tecnologia adotada no empreendimento permite o fornecimento de água tratada de qualidade ao não se observar amostras com aspectos físico-químicos e bacteriológicos que apresentassem valores superiores aos preconizados a Portaria MS n° 888/2021.
AVALIAÇÃO DOS RISCO DE EPÍFITAS NA ARBORIZAÇÃO URBANA DE TRÊS RIOS -RJ
AUTOR: ÁLYSSA VITÓRIA ARNEIRO WOGEL / ORIENTADOR: FÁBIO CARDOSO DE FREITAS
As epífitas são plantas fascinantes encontradas principalmente em regiões tropicais e subtropicais. As suas propriedades únicas, como a capacidade de crescer numa variedade de substratos e de absorver água através das suas folhas em forma de vaso, tornam-nas uma mais-valia para botânicos e amantes da natureza. Entre os diversos habitats em que estas plantas existem, a sua adaptação à vida nas copas das árvores é particularmente impressionante. No entanto, embora a sua presença nas copas das árvores possa parecer pitoresca, existem preocupações significativas sobre os riscos potenciais que podem representar para a vegetação circundante. As epífitas são comumente encontradas nas copas das árvores e desempenham um papel vital nos ecossistemas tropicais. No entanto, as interações entre as epífitas e a vegetação hospedeira podem apresentar desafios e riscos potenciais. Este estudo justifica-se pela necessidade de compreender o impacto desta interação na dinâmica da vegetação urbana. Um dos principais desafios relacionados às epífitas encontradas na copa das árvores é a disputa por recursos, especialmente água e luz. Como as epífitas obtêm água diretamente da chuva e da umidade do ar, podem competir com outras plantas próximas por esses recursos. Além disso, sua posição elevada pode causar sombreamento das plantas localizadas abaixo, o que pode afetar seu crescimento e desenvolvimento devido à redução da luz solar que recebem. Outro ponto a se considerar é o impacto das epífitas como habitat para diversas espécies. Embora essas plantas fornecem abrigo e alimento para vários organismos, como insetos, aracnídeos, anfíbios e pequenos mamíferos, a concentração desses organismos ao redor das epífitas pode gerar desequilíbrios ecológicos ou facilitar a propagação de doenças entre as plantas hospedeiras. Inclusive, podem facilitar a proliferação de vetores de doenças de seres humanos, como dengue por exemplo . Além dos perigos biológicos, as epífitas na copa das árvores também podem representar riscos estruturais. O acúmulo de água em suas folhas pode aumentar a carga sobre os galhos das árvores, o que pode levar à quebra ou queda desses galhos. Em situações extremas, o excesso de peso das epífitas pode até mesmo contribuir para o colapso da árvore hospedeira, resultando em perdas significativas para o ecossistema local.
PROGNÓSTICO AMBIENTAL DOS IMPACTOS DA URBANIZAÇÃO E EXPLORAÇÃO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS NO PARQUE DAS ÁGUAS MINERAIS SALUTARIS – RJ
AUTOR: Agatha Martins Chagas de Mattos Miguel / ORIENTADORES: Olga Venimar de Oliveira Gomes e Erika Cortines
A contaminação das águas subterrâneas é um processo difícil de reverter, uma vez que os aquíferos tendem a reter os contaminantes por um longo tempo. O prognóstico ambiental no Parque das Águas Minerais Salutaris é fundamental para viabilizar uma gestão sustentável, com o intuito de prevenir e mitigar possíveis impactos ambientais adversos, que possam afetar a qualidade e a quantidade das águas subterrâneas exploradas na cidade de Paraíba do Sul - RJ. Diante disso, este estudo objetivou conduzir uma análise prognóstica dos potenciais impactos ambientais que possam interferir na qualidade das águas do Parque Salutaris, localizado na região Centro-Sul Fluminense. Durante a execução deste estudo, foram realizados levantamentos de dados secundários abrangentes, que incluíram fontes como livros, artigos e outros trabalhos científicos. As atividades de levantamento de dados abrangeram pesquisas de mapeamento local, determinação do raio de influência das atividades humanas, levantamento hidrogeológico local, avaliação das características socioeconômicas da área de estudo e aplicação de questionários para pessoas que possuem ou possuíram vínculo profissional com o parque e que detêm conhecimentos pertinentes à pesquisa. A análise das características socioeconômicas da região proporcionou uma compreensão sobre os aspectos demográficos, econômicos e culturais que podem influenciar as pressões ambientais e os padrões de uso da terra na área de estudo. A análise das águas no Parque Salutaris identificou inconformidades nas amostras coletadas para análises microbiológicas. Vale ressaltar que análises de metais, semimetais, compostos nitrogenados, fosfatados e outros compostos orgânicos e organoclorados não foram realizadas. Do ponto de vista da fonte de contaminação dessas águas, acredita-se que sejam fontes diversas, como o sumidouro adjacente ao banheiro principal do parque, considerando sua proximidade com os poços em operação, especialmente o Poço Nilo Peçanha. Outra fonte potencial de contaminação é o córrego que passa adjacente ao Parque, onde os efluentes domésticos do bairro homônimo são despejados sem o devido tratamento, contrariando a legislação brasileira. E também leva-se em consideração a quantidade de cachorros abandonados no parque, aumentando patógenos no solo. No que diz respeito a fossa sumidouro dos banheiros e ao descarte inadequado dos efluentes no córrego que perpassa pelo parque, essas fontes potenciais de poluição dos aquíferos precisam ser extintas do Parque Salutaris, reforçando a necessidade de sistemas de coleta e tratamento de esgotos eficientes, a ser efetivado no local e arredores. A permanência de animais domésticos, como cachorros, na área do parque deve ser proibida e fiscalizada constantemente. Como outras ações a serem implantadas, ressalta-se um monitoramento detalhado da qualidade das águas do Parque Salutaris, considerando a lista de possíveis contaminantes da Portaria GM/MS 888/21, a fim de fornecer informações mais específicas na identificação de outros possíveis contaminantes e fatores que impactam a qualidade das suas águas, bem como o estabelecimento de zonas de proteção dos poços. Após essa análise, uma frequência de monitoramento de substâncias de interesse deve ser estabelecida e assegurada. Recomenda-se ainda a preservação das áreas de recarga subterrânea, que desempenham um papel fundamental na salvaguarda da quantidade e qualidade das águas infiltradas. Da mesma forma, a proteção das nascentes, em conformidade com as Áreas de Proteção Permanente, constitui uma importante vertente a ser considerada na gestão de ecossistemas aquáticos e hidrológicos. Há uma preocupação em relação à exploração desses aquíferos, pois um grande número de poços opera de forma contínua e muito próxima, sem regulamentação, fatores que podem já estar provocando um rebaixamento insustentável dos níveis das águas subterrâneas e que necessitam de estudos hidrodinâmicos para sua preservação.
IMPACTOS DE EMPREENDIMENTOS RODOVIÁRIOS SOBRE A FAUNA E MEDIDAS MITIGADORAS
AUTOR: Amanda Soares Lima / ORIENTADOR: FÁBIO SOUTO DE ALMEIDA
A degradação ambiental é uma preocupação crescente devido às consequências severas, como a escassez de recursos naturais, as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade. A construção e operação de rodovias são fatores significativos que afetam negativamente a fauna, especialmente em regiões com habitats naturais ricos em diversidade biológica. No Brasil, um país com vasta biodiversidade, a expansão rodoviária intensifica esse problema, resultando em fragmentação de habitats, atropelamentos de fauna e outras perturbações ambientais. Apesar da importância econômica das rodovias, que facilitam o transporte de mercadorias e pessoas, impulsionando o desenvolvimento e a integração regional, seus impactos negativos sobre o meio ambiente não podem ser ignorados. Este estudo teve como objetivo principal avaliar os impactos das rodovias sobre a fauna brasileira e identificar medidas mitigadoras eficazes. Foram analisados dez Relatórios de Impacto Ambiental (RIMAs) e diversos trabalhos científicos para compreender a extensão dos impactos das rodovias sobre a fauna e as estratégias de mitigação empregadas. Os resultados mostraram que as rodovias causam uma variedade de impactos, como a fragmentação e a degradação de habitats, o aumento da mortalidade por atropelamento, mudanças no comportamento e afugentamento de espécies. Medidas mitigadoras propostas incluem a construção de passagens de fauna, a instalação de cercas, a sinalização adequada e os programas de educação ambiental. Desse modo, a análise revelou que as rodovias provocam diversos impactos diretos e indiretos sobre a fauna, com a necessidade de medidas eficazes e abrangentes para minimizar os danos causados por este empreendimento. Recomenda-se a implementação completa e rigorosa dessas medidas mitigadoras para proteger a fauna e os ecossistemas brasileiros, ressaltando a importância de planejar novas estradas com precaução e melhorar a intervenção nas rodovias existentes.
ANÁLISE DA VULNERABILIDADE SOCIOAMBIENTAL NO BAIRRO CARIRI, TRÊS RIOS – RJ
AUTOR: LAILINA DE SOUZA MELO MAURO / ORIENTADOR: ALEXANDRE FERREIRA LOPES
A vulnerabilidade socioambiental é um tema central de preocupação em muitas áreas urbanas brasileiras, incluindo o bairro Cariri, em Três Rios, RJ. Este trabalho investiga e analisa a situação deste bairro, que enfrenta desafios significativos relacionados ao saneamento básico e às condições habitacionais precárias, especialmente em áreas próximas a encostas. A vulnerabilidade socioambiental é definida pela interseção entre a vulnerabilidade social, que afeta grupos populacionais de baixo poder aquisitivo, e a vulnerabilidade ambiental, que expõe esses grupos a áreas de risco ou degradação ambiental. O estudo explora as condições de vulnerabilidade socioambiental enfrentadas pela comunidade local, enfocando várias dimensões críticas. Primeiramente, o déficit de saneamento básico afeta diretamente a saúde e o bem-estar dos moradores. Além disso, a precariedade das moradias é um ponto central, com muitas residências construídas sem infraestrutura adequada e situadas em áreas de risco, propensas a deslizamentos de terra, aumentando a vulnerabilidade dos habitantes. O estudo revela uma clara desigualdade e injustiça ambiental que penaliza o bairro Cariri, especialmente em comparação com as áreas centrais de Três Rios, onde tais vulnerabilidades não são tão presentes. Essa disparidade evidencia a marginalização de determinadas regiões e a concentração de serviços e infraestrutura nas áreas mais privilegiadas da cidade. A análise também examina a legislação municipal, que teoricamente deveria proteger e amparar os moradores do bairro Cariri. No entanto, a pesquisa destaca que as políticas públicas frequentemente falham em alcançar todos os necessitados, devido a deficiências na implementação e na cobertura dos programas. Essa ineficácia das políticas públicas sublinha a necessidade urgente de ações governamentais mais efetivas e abrangentes. O trabalho conclui ressaltando a importância de intervenções mais eficazes e direcionadas para melhorar a qualidade de vida dos residentes do bairro Cariri. Propõe-se que, para reduzir as disparidades socioambientais, é essencial uma abordagem integrada que envolva o fortalecimento das políticas públicas, a melhoria da infraestrutura de saneamento básico e a implementação de medidas preventivas em áreas de risco.
Conformidade Ambiental e Arrecadação Municipal: um estudo de caso do ICMS Ecológico em Três Rios
AUTOR: Ana Carolina Borsato da Silva / ORIENTADOR: Julianne Alvim Milward de Azevedo
O ICMS Ecológico (ICMS-E) se constitui em um instrumento relevante para incentivar políticas ambientais nos municípios, por meio de incentivos econômicos. Este estudo se concentra na análise do município de Três Rios, no estado do Rio de Janeiro, com especial atenção a sua conformidade com os critérios do ICMS Ecológico (ICMS-E) entre 2012 e 2023, que possibilita identificar oportunidades para otimização de recursos. A pesquisa quanto aos fins foi exploratória e descritiva; e, quanto aos meios de investigação foi documental, bibliográfica e estudo de caso. O estudo de caso foca no ICMS-E de Três Rios, com uma abordagem quantitativa, comparando variáveis anuais de arrecadação e ações municipais. Os dados levantados foram organizados em gráficos e mapas, permitindo uma análise detalhada. A coleta de dados incluiu visitas e entrevistas na Secretaria de Meio Ambiente de Três Rios e consultas a documentos oficiais. Para a valoração econômica, os dados do ICMS-E foram extraídos de tabelas da Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (CEPERJ), no período de 2012 a 2023; e, as memórias de cálculo do Índice Final de Conservação Ambiental (IFCA) fornecidas pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEA), analisando fatores que influenciaram o desempenho do município. A análise da conformidade de Três Rios com os critérios do ICMS-E entre 2012 e 2023 revelou um cenário de progresso em alguns índices e retrocesso em outros. Constatou-se que Três Rios possui 80% de seu território em áreas de proteção, mas apenas 20,97% da vegetação nativa preservada, e a gestão das unidades de conservação é considerada deficiente. A degradação ambiental e as queimadas recorrentes impactaram negativamente a recuperação ambiental. No índice de tratamento de esgoto, a ausência de Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) prejudica os repasses, mas sua instalação poderia gerar acréscimo anuais nos repasses estadual para o governo municipal. Além dos benefícios financeiros, as ETEs melhorariam a qualidade ambiental e de vida. A falta de pontuação no índice de Mananciais de abastecimento é devido a posição geográfica do município. É notável o progresso de Três Rios quanto a gestão de resíduos sólidos, mas se faz necessário a expansão da coleta seletiva e melhoria na captação de óleo de cozinha usado. A implementação de programas de educação ambiental pode aumentar o engajamento da população e os repasses do ICMS-E. O município possui potencial significativo para aumentar seus repasses, por meio de investimento em infraestrutura ambiental, tratamento de esgoto, conservação de áreas protegidas e expansão da coleta seletiva. Por fim, cabe observar que o custo de investimento em infraestrutura nos municípios brasileiros é elevado e os repasses financeiros pelos governos estadual e federal se fazem necessários.
REVISITANDO O PROGRAMA MINHA CASA, MINHA VIDA SOB A PERSPECTIVA DE IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS
AUTOR: Daiana da Silva Rodrigues / ORIENTADORES: Julianne Alvim Milward de Azevedo e Monica Cardoso Ambivero
O presente trabalho teve por propósito realizar a revisão de literatura acerca dos impactos socioambientais urbanos frente às políticas habitacionais no Brasil. Especificamente, o Programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ (PMCMV), lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ano de 2009. O estudo quanto aos fins foi exploratória e descritiva. Quanto aos meios para a sua concretização, sua investigação foi dada pelo uso das pesquisas documental e bibliográfica, além de se constituir em um estudo de caso. Foi verificado que a produção de pesquisas no país quanto a temática dada pelas políticas habitacionais no país encontra diversos autores de áreas de conhecimento distintas, em que se destacam: geografia, arquitetura, história e ciências sociais. Com visões distintas, a partir de seus paradigmas. Entretanto, essa profusão não é constatada quando se aprofunda quanto a problemática dos impactos socioambientais resultantes da implementação dessas políticas públicas habitacionais e, mais ainda, especificamente, quanto ao PMCMV. Essa é uma lacuna na produção de debates no país, tendo em vista a importância do acesso às cidades sob a perspectiva socioambiental, que traz consigo questões relevantes quanto a expansão urbana dada de forma desordenada revelando a exclusão social e impactos negativos quanto a qualidade de vida de seus moradores. O meio ambiente perpassa essas questões. Ainda mais, no contexto atual pós-pandêmico – COVID-19 –, que expressa com mais intensidade as mudanças climáticas e seus impactos no ambiente construído, especialmente frente a população mais carente. O estudo proporcionou constatar os desafios habitacionais e as condições inadequadas de moradia enfrentadas pela população de baixa renda resultantes do processo de rápida expansão urbana. Nesse sentido, a realização de investimentos nas cidades se apresenta como uma estratégia para a mitigação dos impactos socioambientais. Conclui-se que a grande parcela das unidades habitacionais construídas no PMCMV no país encontra-se em locais de difícil acesso, afastados da malha urbana consolidada e isolados em relação à cidade propriamente dita. Amplificando, assim, os impactos socioambientais, especialmente aprofundando a exclusão social.
PROPOSTA DE UMA CENTRAL DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL CLASSE A PARA A CIDADE DE TRÊS RIOS-RJ
AUTOR: Maria Clara Mattozinhos Noël / ORIENTADOR: FÁBIO CARDOSO DE FREITAS
Ao longo dos anos, a indústria da construção civil tem apresentado um crescimento significativo no âmbito global, tornando-se um instrumento essencial para a economia e um dos principais impulsionadores do emprego. No entanto, esse crescimento no setor de infraestrutura tem levantado preocupações em relação à geração de resíduos sólidos de construção civil (RCC) e ao impacto advindo da utilização de recursos naturais. Essa crescente geração de resíduos da construção civil é um desafio ambiental e urbanístico que muitas cidades enfrentam atualmente, incluindo Três Rios, situada no estado do Rio de Janeiro. A disposição inadequada desses resíduos não apenas prejudica o meio ambiente, mas também representa uma ameaça a qualidade de vida da população e a sustentabilidade. Diante dessa realidade, a presente monografia visa propor a criação de uma Central de Tratamento de Resíduos de Construção Civil (CT-RCC) em Três Rios- RJ, como uma solução estratégica para gerenciar de forma mais eficaz e sustentável esses resíduos na cidade. Esta pesquisa busca abordar as lacunas existentes na gestão de RCC em Três Rios e apresentar argumentos que justifiquem a implementação de uma CT-RCC como parte integrante da política ambiental e urbanística da cidade. Ao longo deste trabalho, foi realizada uma análise detalhada dos desafios enfrentados, dos benefícios potenciais, das melhores práticas e dos aspectos técnicos, financeiros e legais associados à criação de uma CT-RCC. Com esta proposta espera-se fomentar uma base para a tomada de decisões, promovendo a sustentabilidade ambiental, a eficiência na gestão de resíduos de construção civil e o desenvolvimento urbano responsável em Três Rios, RJ.