Bioinsumos: práticas sustentáveis para a agropecuária
Karolayne Ferreira de Amorim; Marcella Aparecida Aquino da Costa; Sabrina Emanuelle da Silva Garcia; Fábio Souto de Almeida
Segundo a Lei Nº 15.070, de 23 de dezembro de 2024 (Brasil 2024), bioinsumo pode ser entendido como:
“produto, processo ou tecnologia de origem vegetal, animal ou microbiana, incluído o oriundo de processo biotecnológico, ou estruturalmente similar e funcionalmente idêntico ao de origem natural, destinado ao uso na produção, na proteção, no armazenamento e no beneficiamento de produtos agropecuários ou nos sistemas de produção aquáticos ou de florestas plantadas, que interfira no crescimento, no desenvolvimento e no mecanismo de resposta de animais, de plantas, de microrganismos, do solo e de substâncias derivadas e que interaja com os produtos e os processos físico-químicos e biológicos” (Brasil 2024).

Fonte: Sustainability Directory (2026) – https://sustainability-directory.com/
Os bioinsumos constituem hoje um conjunto de tecnologias que possibilitam conciliar interesses dentro do âmbito agropecuário, ambiental e econômico, oferecendo soluções que respondem ao crescimento da demanda por alimentos e também de consciência ambiental que exigem alternativas ao uso de agrotóxicos químicos sintéticos, que são custosos economicamente e que causam prejuízos ambientais (Vidal & Dias 2023, Brasil 2024). O termo bioinsumo pode ser entendido como um “insumo de origem biológica”, embora não exista um conceito amplamente utilizado na literatura, que possa abarcar a complexidade do termo e que englobe a diversidade de possíveis utilizações destes insumos para sistemas produtivos (Gindri et al. 2020).
A Lei Nº 15.070, de 23 de dezembro de 2024 (Brasil 2024) menciona que entre os bioinsumos utilizados na agropecuária estão “bioestimuladores ou inibidores de crescimento ou desempenho, semioquímicos, bioquímicos, fitoquímicos, metabólitos, macromoléculas orgânicas, agentes biológicos de controle, condicionadores de solo, biofertilizantes e inoculantes” (Brasil 2024).
A importância dos bioinsumos inclui a redução dos impactos causados pelos agrotóxicos utilizados, reduzindo a contaminação ambiental, a degradação do solo e a perda de biodiversidade (Sambuichi et al. 2024). O conhecimento e o uso ecologicamente correto da biodiversidade, gerando inclusive biotecnologias, são essenciais para elevar a segurança alimentar, diminuir a poluição e manter a adequada qualidade ambiental, com a ampliação da utilização de bioinsumos sendo alternativa estratégica e sustentável para alcançar tais benefícios (Almeida & Vargas 2017, Gindri et al. 2020). O desenvolvimento de novos bioinsumos ecologicamente corretos gera impactos positivos na economia, na saúde física e mental e no fomento ao uso de práticas sustentáveis na agropecuária, tendo potencial para reduzir gastos na produção de alimentos, aumentar a produtividade, impulsionar uma economia mais verde, conscientizar a população, minimizar os problemas ambientais e, além disso, contribuir para a recuperação de ecossistemas naturais (Almeida & Vargas 2017, Gindri et al. 2020, Vidal & Dias 2023).
Existem iniciativas do setor privado e do setor público visando fomentar o desenvolvimento de bioinsumos no Brasil, incluindo o Programa Nacional de Bioinsumos, com a participação de várias instituições de pesquisa (Souza et al. 2022 apud Silva et al. 2024). Este é um setor em crescimento, pois o mercado de bioinsumos atingiu um montante de 6,2 bilhões de reais no ano de 2025, sendo 15% maior que o observado no ano de 2024 (Globo Rural 2026). O aumento do interesse por bioinsumos tem elevado o número de pesquisas científicas sobre o tema (Rocha et al. 2024, Figura 1).

Figura 1. Crescimento no número de pesquisas sobre bioinsumos. FONTE: Rocha et al. (2024).
Referências
Almeida, F.S.; Vargas, A.B. Bases para a gestão da biodiversidade e o papel do Gestor Ambiental. Diversidade e Gestão, v. 1, p. 10-32, 2017.
Brasil (2024) Lei Nº 15.070, de 23 de dezembro de 2024 . Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/l15070.htm Acesso em: 07 de abril de 2026.
Globo Rural (2026) Setor de bioinsumos alcançou R$ 6,2 bilhões em valor de mercado em 2025. Danton Boatini Júnior. Disponível em: https://globorural.globo.com/insumos/noticia/2026/03/setor-de-bioinsumos-alcancou-r-62-bilhoes-em-valor-de-mercado-em-2025.ghtml Acesso em: 13 de abril de 2026.
Gindri, D.M., Moreira, P. A. B., Verissimo, M.A.A. (Orgs) Sanidade vegetal: uma estratégia global para eliminar a fome, reduzir a pobreza, proteger o meio ambiente e estimular o desenvolvimento econômico sustentável, 1. ed. Florianópolis: CIDASC, 2020. 486 p. Disponível em: https://repositorio-dspace.agricultura.gov.br/handle/1/239 Acesso em 20 de abril de 2026.
Rocha, T. M., Marcelino, P. R. F., Da Costa, R. A. M., Rubio-Ribeaux, D., Barbosa, F. G., & da Silva, S. S. (2024). Agricultural Bioinputs Obtained by Solid-State Fermentation: From Production in Biorefineries to Sustainable Agriculture. Sustainability, 16(3), 1076. https://doi.org/10.3390/su16031076 https://nuppre.paginas.ufsc.br/files/2021/02/Livro-Sanidade-Vegetal-Vers%C3%A3o-Digital-1_compressed.pdf#page=192 Acesso em: 07 de abril de 2026.
Sambuichi, R.H.R.; Policarpo, M.A.; Alves, F. A Produção de bioinsumos no Brasil: desafios e potencialidades. Boletim Regional, Urbano e Ambiental, Brasília, n. 32, p. 57-65, jun./dez. 2024. DOI: http://dx.doi.org/10.38116/brua32art5
Sustainability Directory (2026) – https://sustainability-directory.com/ Disponível em: https://news.sustainability-directory.com/news/organic-inputs/ Acesso em 20 de abril de 2026. Licença: CC BY 4.0 – Attribution 4.0 International – https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
Souza, F. P.; Castilho, T. P; Macedo, L. O. B. Um marco institucional para os bioinsumos na agricultura brasileira baseado na economia ecológica. Sustainability in Debate, v. 13, n. 1, p. 266-285, 2022. APUD Silva, A. F. G., Barbosa, K. D. A., Silva, A. F., & Cruz, J. E. (2024). Potencial dos bioinsumos para a agricultura sustentável: Uma análise a partir de suas características, conceitos e vantagens. Revista Mirante (ISSN 1981-4089), 17(2), 250-265.
Vidal, M.C; Dias, R.P Bioinsumos a partir das contribuições da agroecologia. Revista Brasileira de Agroecologia, v. 18, n. 1, p. 171-192, 2023. DOI: https://doi.org/10.33240/rba.v18i1.23735.