{"id":1162,"date":"2020-07-06T17:54:02","date_gmt":"2020-07-06T20:54:02","guid":{"rendered":"https:\/\/itr.ufrrj.br\/determinacaoverde\/?p=1162"},"modified":"2020-07-14T22:12:08","modified_gmt":"2020-07-15T01:12:08","slug":"aromaterapia-biotecnologias-tradicionais-utilizadas-no-sistema-unico-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/itr.ufrrj.br\/determinacaoverde\/aromaterapia-biotecnologias-tradicionais-utilizadas-no-sistema-unico-de-saude\/","title":{"rendered":"Aromaterapia: biotecnologias tradicionais utilizadas no Sistema \u00danico de Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"\n<p>Marcela Pinto Barbosa Vassar &amp; F\u00e1bio Souto de Almeida<\/p>\n\n\n\n<p>As pr\u00e1ticas de preven\u00e7\u00e3o e tratamento de doen\u00e7as baseadas em conhecimentos tradicionais s\u00e3o amplamente utilizadas em todo o mundo (Veiga J\u00fanior et al. 2005, Rodrigues et al. 2007). Entretanto, no Brasil \u00e9 vagarosa a ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas de sa\u00fade alternativas ou tradicionais na rede p\u00fablica (Santos &amp; Tesser 2012). As Pr\u00e1ticas Integrativas e Complementares (PICs) s\u00e3o definidas como:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201ctratamentos que utilizam recursos terap\u00eauticos baseados em conhecimentos tradicionais, voltados para prevenir diversas doen\u00e7as como depress\u00e3o e hipertens\u00e3o. Em alguns casos, tamb\u00e9m podem ser usadas como tratamentos paliativos em algumas doen\u00e7as cr\u00f4nicas\u201d (MS 2020). <\/p>\n\n\n\n<p>A diversidade biol\u00f3gica oferta servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, como os relacionados \u00e0 provis\u00e3o de alimentos, a regula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, a prote\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos e a cria\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos (Almeida &amp; Vargas 2017). Popula\u00e7\u00f5es tradicionais em todo o mundo desenvolveram pr\u00e1ticas curativas com o uso de organismos presentes nas regi\u00f5es onde habitam, sendo a biodiversidade a fonte de muitos dos medicamentos, cosm\u00e9ticos e mat\u00e9ria prima para diversos produtos industriais, apresentando valores expressivos no mercado mundial de f\u00e1rmacos (Veiga J\u00fanior et al. 2005, Rodrigues et al. 2007). Assim, muitos dos medicamentos patenteados e comercializados nas farm\u00e1cias tiveram origem em conhecimento tradicional e sugiram a partir do uso de subst\u00e2ncias contidas em organismos vivos (Ferreira 1998). Biotecnologias podem ser conceituadas como aquelas que \u201ccompreendem a manipula\u00e7\u00e3o de microorganismos, plantas e animais, com vistas \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de processos e produtos de interesse para a sociedade\u201d (MMA 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as biotecnologias amplamente utilizadas pelo ser humano, est\u00e3o aquelas relacionadas com a aromaterapia, que promove a sa\u00fade f\u00edsica e mental por meio do aroma de esp\u00e9cies vegetais contidos em seus \u00f3leos essenciais, com o uso terap\u00eautico de tais \u00f3leos (Brito et al. 2013, Figura 1). A aromaterapia teve in\u00edcio a mais de 4000 anos, estando entre as pr\u00e1ticas de medicina mais antigas, al\u00e9m se ser frequentemente utilizada (Bourret 1981 e Gogtay et al. 2002 Apud Brito et al. 2013).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"595\" src=\"https:\/\/itr.ufrrj.br\/determinacaoverde\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/essential-oils-flower-aromatherapy-perfume-essential-nature-1435367-pxhere-com_-1-1024x595.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1164\" srcset=\"https:\/\/itr.ufrrj.br\/determinacaoverde\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/essential-oils-flower-aromatherapy-perfume-essential-nature-1435367-pxhere-com_-1-1024x595.jpg 1024w, https:\/\/itr.ufrrj.br\/determinacaoverde\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/essential-oils-flower-aromatherapy-perfume-essential-nature-1435367-pxhere-com_-1-300x174.jpg 300w, https:\/\/itr.ufrrj.br\/determinacaoverde\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/essential-oils-flower-aromatherapy-perfume-essential-nature-1435367-pxhere-com_-1-768x446.jpg 768w, https:\/\/itr.ufrrj.br\/determinacaoverde\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/essential-oils-flower-aromatherapy-perfume-essential-nature-1435367-pxhere-com_-1-1536x892.jpg 1536w, https:\/\/itr.ufrrj.br\/determinacaoverde\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/essential-oils-flower-aromatherapy-perfume-essential-nature-1435367-pxhere-com_-1-2048x1189.jpg 2048w, https:\/\/itr.ufrrj.br\/determinacaoverde\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/essential-oils-flower-aromatherapy-perfume-essential-nature-1435367-pxhere-com_-1-120x70.jpg 120w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Figura 1. A biodiversidade \u00e9 fonte de \u00f3leos utilizados na aromaterapia. Fonte da imagem: Mohamed Hassan \u2013 pxhere (2020). Creative Commons CC0<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A aromaterapia \u00e9 uma PIC oferecida no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) sendo reconhecida como uma:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cpr\u00e1tica terap\u00eautica secular que utiliza as propriedades dos \u00f3leos essenciais, concentrados vol\u00e1teis extra\u00eddos de vegetais, para recuperar o equil\u00edbrio e a harmonia do organismo visando \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade f\u00edsica e mental, ao bem-estar e \u00e0 higiene\u201d (MS 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Os \u00f3leos essenciais derivam do metabolismo secund\u00e1rio de plantas e podem ser extra\u00eddos de v\u00e1rias esp\u00e9cies (Duarte 2006). Estudos t\u00eam demonstrado que \u00f3leos essenciais podem ter efeitos, por exemplo, contra bact\u00e9rias, incluindo a influ\u00eancia negativa em esp\u00e9cies de bact\u00e9rias que podem causar malef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade humana (Carson et al. 2006, Duarte 2006, Pibiri et al. 2006, Pelissari et al. (2010). Pesquisas tamb\u00e9m apresentam evid\u00eancias de que a aromaterapia pode ser usada de forma complementar na terapia visando a sa\u00fade mental e tamb\u00e9m f\u00edsica (Horowitz, 2011).<\/p>\n\n\n\n<p>Com o desenvolvimento tecnol\u00f3gico observado no \u00faltimo s\u00e9culo e terapia utilizando \u00f3leos essenciais foi colocada em segundo plano, mas as limita\u00e7\u00f5es e problemas derivados do uso dos princ\u00edpios ativos sint\u00e9ticos t\u00eam renovado o interesse por essas t\u00e9cnicas tradicionais (Lavabre 1997, Brito et al. 2013). Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade \u201co Brasil \u00e9 refer\u00eancia mundial na \u00e1rea de pr\u00e1ticas integrativas e complementares na aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica\u201d (MS 2020). A aromaterapia \u00e9 oferecida \u00e0 popula\u00e7\u00e3o brasileira pelo SUS de forma gratuita (MS 2020), embora o servi\u00e7o ainda n\u00e3o seja de f\u00e1cil acesso para parcela da popula\u00e7\u00e3o, a depender da regi\u00e3o brasileira. \u00c9 importante que haja incentivos para a forma\u00e7\u00e3o de profissionais para atuar na pr\u00e1tica da aromaterapia, ampliar os estudos nessa \u00e1rea do saber e divulgar os seus benef\u00edcios. A cria\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para ampliar a oferta de oportunidades de tratamento com a aromaterapia tamb\u00e9m \u00e9 expressivamente relevante para que a popula\u00e7\u00e3o brasileira tenha amplo acesso a essa pr\u00e1tica, o que tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio para outras Pr\u00e1ticas Integrativas e Complementares.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Almeida, F.S.; Vargas, A.B. Bases para a gest\u00e3o da biodiversidade e o papel do gestor ambiental. Diversidade e Gest\u00e3o 1(1): 10-32, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>Bourret, J. C. Les Nouyeaux Sices de La medicina par l\u00eas plantes. Hachette, 1981; 45: 454-76. Apud Brito, A.M.G.; Rodrigues, S.A.; Brito, R.G.; Xavier Filho, L. Aromaterapia: da g\u00eanese a atualidade. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, v.15, n.4, p.789-793, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>Brito, A.M.G.; Rodrigues, S.A.; Brito, R.G.; Xavier-Filho, L. Aromaterapia: da g\u00eanese a atualidade. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, v.15, n.4, p.789-793, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>Carson, C. F.; Hammer, K. A.; Riley, T. V. Melaleuca alternifolia (Tea Tree) oil: a Review of antimicrobial and on the medicinal properties. Clinical Microbiology Reviews. 2006; 19(1): 50-62.<\/p>\n\n\n\n<p>Duarte, M.C.T. Atividade Antimicrobiana de Plantas Medicinais e Arom\u00e1ticas Utilizadas no Brasil. MultiCi\u00eancia, p.1-16, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>Ferreira, S.H. (Org.) medicamentos a partir de plantas medicinais no Brasil. Academia Brasileira de Ci\u00eancias e Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnolgia-MCT. 1998. 131.<\/p>\n\n\n\n<p>Gogtay, N.J., Bhatt, H.A., Dalvi, S.S., Kshirsagar, N.A. The use and safety of nonallopathic Indian medicines. Drug Safety, n.25, p.14, p.1005-19, 2002. Apud Brito, A.M.G.; Rodrigues, S.A.; Brito, R.G.; Xavier-Filho, L. Aromaterapia: da g\u00eanese a atualidade. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, v.15, n.4, p.789-793, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>Horowitz, S. Aromatherapy: current and emerging applications. Alternative and complementary alternatives. 2011, 17(1): 26:31.<\/p>\n\n\n\n<p>Lavabre, M. Aromaterapia: a cura pelos \u00f3leos essenciais. 4th ed. Rio de Janeiro: Record, 1997.<\/p>\n\n\n\n<p>MMA \u2013 Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (2020). Biotecnologia. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.mma.gov.br\/informma\/item\/7510-biotecnologia.html\">https:\/\/www.mma.gov.br\/informma\/item\/7510-biotecnologia.html<\/a> Acessado em:&nbsp; 28 de junho de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Mohamed Hassan \u2013 pxhere (2020) Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/pxhere.com\/pt\/photo\/1435367\">https:\/\/pxhere.com\/pt\/photo\/1435367<\/a>. Acessado em: 02 de julho de 2020. Creative Commons CC0: <a href=\"https:\/\/creativecommons.org\/publicdomain\/zero\/1.0\/\">https:\/\/creativecommons.org\/publicdomain\/zero\/1.0\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>MS \u2013 Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (2020). Pr\u00e1ticas Integrativas e Complementares (PICS): quais s\u00e3o e para que servem. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/saude.gov.br\/saude-de-a-z\/praticas-integrativas-e-complementares&gt; Acessado em: 27 de junho de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelissari, G.P.; Pietro, R.C.L.R.; Moreira, R.R.D. Atividade antibacteriana do \u00f3leo essencial de Melampodium divaricatum (Rich.) DC., Asteraceae. Revista Brasileira de Farmacognosia. 2010: 20(1): 70-74.<\/p>\n\n\n\n<p>Pibiri, M.C.; Goel, N.; Vahekeni, N.; Roulet, C.A. Indoor air purification and ventilation systems sanitation with essential oils. International Journal of Aromatherapy. 2006:16(3-4): 149-153.<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigues, C.R.B.; Oliveira, I.L.; Kovaleski, J.L. Conhecimento tradicional associado, patrim\u00f4nio gen\u00e9tico, pesquisa e patente de novos f\u00e1rmacos. XXVII Encontro Nacional de Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o, Foz do Igua\u00e7\u00fa, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>Santos, M.C.; Tesser, C.D. (2012) Um m\u00e9todo para a implanta\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o de acesso \u00e0s pr\u00e1ticas integrativas e complementares na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade. Ci\u00eancia &amp; Sa\u00fade Coletiva, 17(11), 3011-3024.<\/p>\n\n\n\n<p>Veiga Junior, V.F.; Pinto, A.C.; Maciel, M.A.M.. Plantas medicinais: cura segura? Qu\u00edmica Nova, 28(3), 519-528, 2005.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcela Pinto Barbosa Vassar &amp; F\u00e1bio Souto de Almeida As pr\u00e1ticas de preven\u00e7\u00e3o e tratamento de doen\u00e7as baseadas em conhecimentos tradicionais s\u00e3o amplamente utilizadas em todo o mundo (Veiga J\u00fanior et al. 2005, Rodrigues et al. 2007). 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